Seja produtivo, não use Windows!

Bom, já faz um mês que estou de emprego novo. Muita coisa mudou de uns tempos para cá. Muita coisa aconteceu na família e na vida como um todo.

É muito pouco tempo para emitir qualquer opinião sobre o novo trabalho. Muita coisa nova. Ao invés de ficar como DBA fixo num único cliente, vou a cada dia num cliente diferente. Uma vida completamente nova. Notebook debaixo do braço e um universo diferente a cada dia.

Mas devo dizer que andar com notebook debaixo do braço é algo complicado:

  • Falem o que quiserem, mas se acostumar com o teclado e com touch pad do notebook é chato. Mas você sobrevive a isso;
  • Usar modem 3G não é igual aos comerciais da TV. Tem lugar que não pega, tem lugar não pega 3G e fica uma carroça e tem lugar que a conexão cai com frequência. Mas você sobrevive a isso;
  • Digam o que disserem, mas o peso, o tamanho da tela e a duração da bateria ainda são as coisas mais importantes de um note. Quanto maior a tela e a bateria, maior o peso para carregar. Mas você sobrevive a isso;

Agora, usar Windows… isso não tem preço. Um amigo comprou um note da Apple e disse que o Windows iria continuar a dominar o mercado e que a qualidade deles melhorou muito e coisa e tal. Vou te dizer amigo, usar Unix é muito diferente:

  • As conexões SSH funcionam muito melhor, você recorta e cola de lá para cá sem precisar usar o mouse;
  • Shell com abas… isso parece besteira até você ficar sem;
  • Se você tem que usar Wireless + RJ45 + Modem 3G + VPN em cada lugar de um jeito, o windows tem um jeito maluco de lidar com tudo isso. Você liga uma coisa e outra cai… pode ser inabilidade minha, mas com Unix você tem as coisas na sua mão.
  • Em duas semanas uma coleção enorme de vírus se instalaram por aqui. Tem um circo com diversos sabores. E eu não navego em sites suspeitos ou abro e-mails estranhos. Sim, eu atualizo o antivírus, o antispyware e o Windows. Mesmo assim eles brotam…
  • Instalar o SP3 dá um trabalhão, tem que instalar e atualizar um monte de coisas para ele poder começar a trabalhar. Zilhões de passos, etc e tal. Definitivamente, quem se acostuma com Debian não consegue engolir isso;
  • Reiniciar e travar, é só começar! É claro que o ambiente gráfico também trava no Linux. Trava mesmo. O OpenOffice e o Firefox fazem estragos enormes na memória, ainda mais se entrar o Java ou o Flash na parada. Mas competir com o Windows Explorer não dá… o bixo é muito estranho. Você começa a ver que montar e desmontar volumes faz muito sentido… as coisas não travam inesperadamente;

Não tem como descrever a sensação… é como se você estivesse dirigindo a 120 KM/h na Imigrantes… e derrepende entrasse na serra aquaplanando. É mais ou menos assim. Você perde completamente o controle. Se sente inseguro, não entra mais no netbanking para ver sua conta bancária, vê um monte de avisos coloridos pulando na tela sem serem convidados e fica com tendinite de tanto usar o mouse.

Minha produtividade na primeira semana de trabalho caiu uns 40% do nada. Ok, adaptação e coisa e tal. Mas mesmo após um mês amargando o windows todo santo dia, eu ainda me sinto um estranho, e uns 20% menos produtivo. Em suma, pode rolar uma rebelião no novo trabalho, mas pelo menos um dual-boot vai ter que rolar neste notebook.

Por enquanto é só pessoal. Vou ter que reiniciar aqui o servidor para aplicar as alterações o Pervice Pack 3 do Windows e a  atualização do antivírus…

14 comentários sobre “Seja produtivo, não use Windows!

  1. Hehehe… é Capi, nessas horas que você vê como é legal algo simples como o Ubuntu ter um instalador pra instalar o ubuntu em windows. (basicamente ele cria uma mega imagem de disco que ele então boota em duas etapas, passando primeiro pelo gerenciador de boot do win que chama um lilo pra “dos” e então bootam essa imagem…)…. assim, claro que vc ferrar a partição do win fode a sua vida, mas é uma gambiarra boa pra não ter que particionar (ou pra quando você não pode particionar…)… bom, isso tem salvado minha vida nos últimos tempos 🙂 … e qualquer coisa é muito sussa de tirar sem dar pau (e só se perde alguma performance de disco…).

    Abraços!

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    • Vou te dizer que o instalador do Debian é uma das coisas mais inacreditáveis que já se viu em termos de Software Livre. Dá para fazer instalação remota, funciona para reparar instalações quebradas (de qualquer SO), e dá para dedimencionar a partição do Windows (mesmo NTFS) on the fly… durante a instalação. E devo dizer que funciona.

      O Ubuntu é baca e coisa e tal, mas ele é literalmente uma fração do Debian. Experimente e me diga depois.

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      • Gostaria de dizer que também gosto do instalador do Debian, mas para mim ele não agradou muito. É um pesadelo tentar fazer uma instalação com os pacotes desejados apenas, as opções mostradas (desktop, etc…) não ajudam muito, nem tem uma descrição do que vão instalar, muito menos opção de personalização.
        Ainda sou mais fã do simples e direto instalador do FreeBSD e também do que se encontra no Slackware.
        Entendo que o Debian tem um sistema de pacotes de que muitos se orgulham, mas não consigo gostar dele. Acho o sistema de ports muito mais simples.
        Ainda assim, todos mais simples e práticos de que windows.

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  2. Se as pessoas passarem a usar windows por um período muito longo, é capaz que surgi alguma síndrome do estilo síndrome do pânico…

    Tipo, ao usar o windows no netbanking da taquicardia , suor frio, etc … kkkkkk

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  3. Esqueci de dizer o caos que é colar texto do Windows para Unix… Uma única linha em branco pode melar todo o seu script de forma absolutamente invisível.

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  4. Muito bom! hahaha Me identifico muito, laptop de baixo do braço + 3G, mas ao menos posso usar o Debian mesmo.

    Lembro quando fiquei alocado em empresa e tinha que usar o windows, era sindrome do pânico como disse o André: Pensava várias vezes antes fazer login com alguma conta importante. Meu pior trauma é do IE7, que não importa aonde use trava a cada aba aberta.

    Coisas que parecem simples(e outras nem tanto) fazem muita falta.

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  5. então, nem li esse texto..
    na verdade eu li outro texto seu:
    http://tellesr.multiply.com/journal/item/29/Retorno_a_ETELG_Longo
    é que eu tava procurando imagens da ete lauro gomes no google (faço ensino médio lá)
    ai achei seu texto sobre como a ete era a muito tempo
    eu gosto quando antigos alunos da ete falam de lá, dá uma nostalgia, uma saudade daquilo que a gente nem viveu, mas gostaria de ter vivido
    a ete mudou demais
    abriram incotaveis vagas e já entram algumas pessoas duvidosas por la
    o bloco 7 fechou esse ano =/
    a fatec é em cima da lixo (a lanchonete) e tá ameaçando pegar parte do bloco cinco também
    ah e o povo da escola está querendo matar o gremio e varios alunos metidos a politicos usam o nome da escola por ai
    eu gosto de lá e lendo seu texto percebi o quanto amo aquela escola
    aconteceu a mesma coisa quando eu vi umas fotos antigas da ete na salinha do tio osmar.
    e como você disse:
    “aprendi a brigar pelo que acredito, lá comecei a beber e fumar, deixei o cabelo crescer, aprendi a tocar violão (muuuito mal por sinal), lá comecei a namorar e encontrei a primeira grande paixão da minha vida. Como o Raveli dizia, entramos cheirando talco de bebê e saímos como homens preparados para enfrentar o mundo!!!”
    não sei se sou uma das poucas, mas ainda sinto esse espirito naquela escola.
    é isso
    só preciva te dizer isso (?)

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  6. Bom… instalação feita! Modem 3G da Claro funcionando, Placa Wireless, Bluetooth, Ethernet, todo jóia aqui. Pena que o Gerenciador de Rede do Gnome ( http://projects.gnome.org/NetworkManager/) não tem suporte ao modem da Claro.

    A próxima versão, a 0,7 promete resolver isso: http://live.gnome.org/NetworkManagerToDo

    Por enquanto tenho que usar o Gnome PPP. Isto significa que não dá para usar algumas facilidades do Gerenciador de Redes, quando eu estiver usando o Modem da Claro. E na vida de consultor, tem de tudo: VNC, VPN, Terminal Service, AD, etc, etc… Enquanto a versão 0,7 não vem… boa parte das conexões tem de serem configuradas via shell mesmo.

    Mas já posso respirar mais aliviado… ainda estou pensando se vou mesmo precisar subir um Windows via VMWare. 🙂

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  7. Ola, venho parabenizar seu blog.
    muito noticia boa!!!

    até copiei algumas e postei no meu blog, logico referenciando o seu. (espero q nao tenha problemas)

    meu msn felipe.duarte@msn.com

    e to começando com oracle.

    grande abraço.

    obs: vo coloca um link do seu blog la no meu ok?

    abraço

    Felipe

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  8. Pois é, agora com o dual-boot deve ter ficado melhor 😛 Sobre a atualização do Debian, é verdade: depois que o cara acostuma, usar aqueles update do windows é um porre, hehhe. Já o Ubuntu é legal, mas tem muitos bugs, que vem lá do unstable do Debian.

    No meu notebook eu tenho usado o Gentoo e estou gostando, dá pra personalizar bastante e ficar com softwares bem atualizados. Mas ainda prefiro o Debian nos servidores, hehehe

    Agora, é quando o cara usa o Windows é que sente falta dos pequenos detalhes que fazem falta no dia-a-dia 😦

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  9. “Não tem como descrever a sensação… é como se você estivesse dirigindo a 120 KM/h na Imigrantes… e derrepende entrasse na serra aquaplanando. É mais ou menos assim. Você perde completamente o controle. Se sente inseguro, não entra mais no netbanking para ver sua conta bancária, vê um monte de avisos coloridos pulando na tela sem serem convidados e fica com tendinite de tanto usar o mouse.”
    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
    Adorei todo o texto. Não conhecia o blog. Nesta parte acima comecei a rir! Rir por identificação, porque é exatamente o que sinto. Adorei a metáfora do carro, perfeita. E também sobre os avisos. Vez ou outra tenho que pegar computadores emprestados e geralmente estão com windows, aí é isso – um monte de janelinhas pipocam toda hora, que coisa infernal, pra não dizer outra coisa. Na hora dá vontade de… sei lá! hehe. É exatamente isso. É capaz de você ficar com tendinite de tanto fechar janelinhas. 😀

    Depois de acostumar com o linux (uso ubuntu), mesmo como usuária básica, você se acostuma com a liberdade de simplesmente fazer suas coisas tranquilamente. A gente vai se acostumando com o que traz qualidade pra nossa vida acho. E acho que o contrário também acontece. As pessoas também se acostumam com coisas irritantes, desnecessária de ter na vida, mas porque não conhecem o outro lado, porque acaba virando “normal”…

    Isso me lembrou um momento da minha infância… alguns, mas este específico já exemplifica. Quando eu era criança, na nossa “casa da roça”, como chamávamos, não tinha banheiro. A gente sempre tomou banho num banheiro improvisado, esquentando a água no fogão (a lenha), depois colocando em um balde e “banhando” de canequinha. 🙂 Pra mim, como criança, lembro que sempre achei isso normal. Não me incomodava, não me fazia falta outra coisa diferente – já que nunca tinha visto a roça de uma maneira diferente, só desta. Então pra mim isso “estava dado, e era assim e ponto!” Nem se é bom, nem se ruim, nem se poderia ser diferente ou não, nada! Nada a se pensar a respeito!

    Mas já adulta, militante, pensando a respeito foi que comecei a observar o fato sob outros ângulos (agora adulta, me foi dado o estímulo e a oportunidade de usar outros ângulos pra olhar)… um deles, claro, o do acesso. Muitas pessoas não têm acesso a isso, não têm banheiro, a água é escassa… então o banho de canequinha “é o que se tem pra hoje” 🙂 (como diz uma amiga minha). Mas agora consigo pensar diferente (no mundo corporativo as vezes chamam isso de “pensar fora da caixinha” ne? :)), consigo pensar que isso não é “normal”, não “está dado e ponto!”… algo pode ser feito sim, há muito o que se conversar a respeito sim… por exemplo: porque quase ninguém aqui tem acesso a um banheiro que dê mais qualidade de vida? O que pode ser feito? Quais são xs implicadxs na resolução deste problema?… E várias outras questões, mas o ponto aqui é: A PARTIR DO MOMENTO EM QUE EU TOMO ‘CONSCIÊNCIA’ (que pra mim não é só saber algo, é saber algo, é se importar com àquilo de verdade) DA EXISTÊNCIA DE OUTROS “ESTILOS” DE VIDA (ou seja, quando tenho estímulo e oportunidade de experimentar, entender, vivenciar novas experiências), COMEÇO A ENTENDER O QUANTO EU NÃO ERA FELIZ E NEM SABIA! 🙂

    Claro que existem diversas situações que não dependem só da nossa vontade pra se modificarem, mas neste caso estou falando das que dependem. E aí entra a que quero chegar que é, mudar o computador de um sistema proprietário para um livre. Muitas vezes esta decisão depende puramente da nossa vontade de tentar, de buscar algo que pode ser melhor. O mesmo para quem quer deixar de tomar refrigerante, ou começar a ler mais, ou etc etc etc (lembrando sempre que estou falando de situações em que “a vontade” é o único fator para se iniciar a mudança, não entram aqui fatores como desigualdades sociais ou quaisquer outros complicadores).

    É começar a entender que existem outras possibillidades melhores, e que mesmo que eu tenha que passar por um período mais complicado, que bagunce temporariamente o ritmo habitual da minha vida (COMO O TEMPO EM QUE VOU TER QUE LIDAR COM O PÓ, COM A BAGUNÇA, COM O BARULHO E OS DEMAIS PERCALSOS DE SE TER UMA OBRA, COMO A CONSTRUÇÃO DE UM BANHEIRO, DENTRO DE CASA), vai valer a pena porque depois vou ter mais qualidade de vida, novas visões de vida… e as vezes, mais coerência com os princípios de vida que quero pra mim e, que busco fomentar. Tudo está interligado.

    Obrigada pelo texto Fábio, e pelas lembranças que ele me trouxe. 🙂

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