Com a covid-19, o home office se tornou realidade para muita gente que nunca trabalhou em casa. Aqui, isso já é regra há algum tempo, cada colaborador trabalha na sua casa, ou não, fica a critério de cada um. Mas leva-se mesmo um tempo até se acostumar com tudo isso, e não é fácil montar um ambiente de trabalho decente em casa. Então, com a possibilidade de a pandemia ainda durar um tempo, muita gente considera que chegou o novo normal e trabalhar em casa pode não ser algo passageiro. No meu caso, eu levei anos aperfeiçoando tudo para ter um ambiente de trabalho adequado. Vou contar um pouco da minha experiência pessoal nessa saga.

Home office todo dia?

Eu gosto muito de trabalhar em casa. Inicialmente, eu trabalhava duas ou três vezes por semana quando ainda estava num emprego formal numa multinacional. Depois, passei a trabalhar direto em home office. Vou dizer que acho que ficar sete dias por semana em casa é ruim. Você deveria sair pelo menos uma ou duas vezes por semana para ir trabalhar fora. Algumas opções:

  • Procurar alguma cafeteria, padaria etc. e separar uma tarde ou manhã com tarefas menos críticas para fazer, levando seu notebook.
  • Alugar um coworking.
  • Encontrar a empresa de algum amigo e visitá-lo de vez em quando. Dá para aproveitar e marcar um happy hour no final do dia. Até o início da pandemia, eu estava visitando o pessoal da Necto lá no Pq. Tecnológico de SJC.
  • Montar um escritório com alguns amigos, comprar um frigobar e dividir o aluguel. Em cidades menores, você consegue fazer isso com um custo relativamente baixo.

Sobre a rotina do dia a dia

A coisa mais fácil do mundo é virar ogro trabalhando em casa. Logo, é importante criar algumas rotinas. Tomar banho cedo, trocar de roupa, tomar café da manhã, coisas assim. Nada de trabalhar com roupa de dormir. Além das conferências durante o dia, é bom separar o momento de lazer do momento de trabalho. As pessoas na sua casa também vão entender melhor o seu momento e respeitar o seu horário de trabalho.

Outra coisa que para mim é fundamental é sair de casa todos os dias. Seja para almoçar, ir caminhar, ir na academia ou dar uma volta na praça. Saia de casa. A sua qualidade de vida agradece.

O espaço físico

Sem dúvida, a parte mais difícil é escolher um local adequado de trabalho. Ainda mais se você tem várias pessoas morando na mesma casa, crianças, cachorro etc. A vizinhança também é um fator que pesa, particularmente no nível de barulho.

Eu comecei trabalhando no meu quarto mesmo, como a maioria das pessoas. Tinha uma mesa com bom tamanho, mas trabalhar no quarto está longe de ser algo desejável. Se for por pouco tempo, tudo bem, mas se for por um longo período, melhor pensar em alternativas. A solução para mim foi me mudar para um apartamento maior, com um quartinho pequeno, mas bem-arrumado, com bom espaço, armários e uma mesa enorme feita sob medida. Além disso, a parede tinha um fundo falso com passagem embutida para cabos. Foi um grande avanço na época. O andar era alto, os vizinhos silenciosos e eu tinha um espaço separado no apartamento só para trabalhar.

Meu primeiro escritório de verdade.

Mas, além de o quarto não ser muito grande, tinha algo que me incomodava. Não havia janela, e o quarto era muito abafado e quente no verão. Às vezes, eu tinha que trabalhar com um ventilador ligado o tempo todo. Foi quando eu decidi me mudar para o interior de SP e ir para São José dos Campos, dessa vez para morar numa casa e não num apartamento. Com o aluguel que eu pagava no apartamento mais o condomínio, eu podia pagar por uma casa maior num bom bairro de SJC. Assim, eu escolhi uma casa que tivesse um quarto só para o meu escritório, em vez de um quarto de empregada adaptado.

Com mais espaço, janela, uma boa vista… Depois eu só incorporei um ar-condicionado quente e frio, que melhorou muito minha qualidade de vida. Eu não ligo o aparelho o tempo todo, só quando está muito frio ou muito quente, e já ajuda muito.

Escritório atual

OK, não é todo mundo que tem esse tipo de oportunidade. No entanto, durante a pandemia, vi pessoas que se mudaram para a praia, por exemplo. Quando você não depende mais de ir até a empresa com frequência, algumas coisas mudam na sua forma de pensar. Foi assim que eu decidi mudar de cidade.

Alguns critérios que eu levei em consideração foram a disponibilidade de serviços como internet, iFood, Uber etc. Sem isso, minha vida fica bem mais complicada. Algo que mudei também foi que deixei de ter um carro próprio. Estar próximo de São Paulo e de um bom aeroporto também foi importante para mim. É comum ter que viajar a trabalho, e temos alguns clientes grandes em São Paulo. Não morar longe demais da capital me descomplica a vida.

Mobiliário

Antes de pensar em equipamento, você deve pensar nos móveis. Não adianta ter equipamentos de última geração e não ter onde enfiar tudo ou ficar desconfortável o tempo todo. Ter bons móveis faz toda a diferença.

Mesa

Ter uma boa mesa, com altura, profundidade e largura suficientes ajuda muito. Já tive mesas altas, mesas apertadas etc. Eu realmente gosto da sensação de ter espaço. Isso varia um pouco de pessoa para pessoa. A primeira coisa que eu penso ao olhar para uma mesa é o suporte dela. Existe alguma chance de a mesa balançar? Você pode parafusar a mesa direto na parede para ter mais firmeza? Quanto peso ela aguenta? O suporte da mesa atrapalha a circulação das pernas? Vai por mim, antes de olhar por cima da mesa, olhe por baixo. Elimine de cara qualquer modelo que limite a circulação das pernas.

O material e o acabamento também devem ser levados em consideração. Quando eu cheguei na casa onde estou hoje, já havia um móvel de escritório antigo aqui, e eu acabei utilizando-o por um tempo até encomendar a minha própria mesa com um marceneiro. Mas, logo de cara, eu tive que remover o tampo de vidro que havia sobre a mesa. Nada contra o acabamento em si, mas o mouse não funciona bem em vidro, e eu não gosto de usar mouse pads, apedar de estarem na moda os desk pads, bem maiores, alguns em couro, onde você coloca o teclado e o mouse. É uma opção a se considerar para a sua mesa. Além disso, alguns materiais podem grudar na sua mão ou no seu braço se você transpirar. Seja como for, o acabamento deve ser relativamente resistente a riscos e confortável para as mãos. Bordas arredondadas no tampo também são importantes, pois os seus braços vão repousar sobre a mesa e o teclado com frequência. Será bastante desagradável se a borda da mesa machucar seus braços ou punhos.

Independente do tamanho, a altura é realmente importante. Uma mesa deve ter altura de até 75 cm. Pode variar um pouco com a sua altura, mas essa é a medida padrão de móveis para escritório. Você pode achar outras mesas muito simpáticas, mas se forem mais altas, serão bastante desconfortáveis. Outra opção mais moderna e que vem ganhando adeptos são as mesas com altura regulável, que permitem a você mudar de postura e até trabalhar de pé. Um exemplo é a Geniodesk, uma alternativa bem interessante e fabricada no Brasil.

Leve em consideração também furos para passagem de cabos, calhas organizadoras por cima ou por baixo da mesa, suporte para tomadas etc. Existem pessoas especialistas em organizar cabos, utilizando diferentes acessórios. Pra mim, o mais importante é que os cabos não fiquem espalhados sobre a mesa e não atrapalhem a livre circulação das pernas por baixo da mesa. Um mínimo de organização será necessário. Se você tiver um desktop por exemplo, ficará bem feliz em conseguir colocar a CPU debaixo da mesa e ganhar um bom espaço, mas talvez precise comprar cabos mais longos. Existem também suportes para colocar a CPU pendurada debaixo da mesa, pode ser uma opção interessante. Mas, se você tiver um gabinete ATX como eu, talvez não se sinta muito seguro com algo tão grande e pesado pendurado debaixo da mesa.

Cadeira

Durante muito tempo, eu utilizei cadeiras de escritório bastante razoáveis. Não duram muito, mas são OK. Uma boa cadeira é mais do que uma questão de conforto, tem a ver com a sua capacidade de trabalhar horas sem ficar com dores nas costas, por exemplo. Tem a ver com ergonomia. Existem, sim, boas cadeiras de escritório com boa ergonomia. A Flexform, por exemplo, oferece cadeiras com encosto alto e ajustes de inclinação etc. e tal. Você pode optar por um modelo com revestimento de couro ecológico, mais conhecido como poliuretano (PU), como a Klass black leather, só que ela vai esquentar mais no verão, particularmente se você não tiver um ar-condicionado. Você também tem opções como a cadeira que eu utilizei por um bom tempo, do tipo com tela mesh, que prometem esquentar menos e costumam ser um pouco mais baratas.

Se você estiver disposto a investir numa cadeira de escritório realmente incrível e tiver bala na agulha, certamente vai acabar olhando as cadeiras da Herman Miller vendidas pela Atec, como a Aeron Chair ou a Embody. São cadeiras incríveis, mas com preços também incríveis, ainda mais com o dólar alto. Recentemente, a Hermam Miller se juntou com a Logitech para fazer uma versão gamer da Embody. Eu acho interessante, mas o preço…

Enfim temos as cadeiras gamers, que foram adotadas pela maioria da turma de TI. Eu resisti por muito tempo, mas acabei comprando uma também, um pouco mais discreta, sem cores chamativas. E confesso que gostei muito. No meu caso, optei por uma Noble Chair modelo Hero, que não foi barata, mas tem uma qualidade realmente muito boa.

Seja uma cadeira de escritório, seja uma cadeira gamer, você tem que ficar de olho mais ou menos nas mesmas coisas:

  • A altura do encosto deve cobrir suas costas completamente. O encosto para a cabeça é bem opcional, não faz muita diferença na prática.
  • O material que reveste o encosto e o assento faz muita diferença no conforto e no calor que você vai sentir.
  • Preste atenção no peso que a cadeira suporta, particularmente no mecanismo e na espuma do assento. A DX Racer, por exemplo, tem BOSS B121-N e suporta até 200 kg; eu considerei muito comprá-la. Se você está acima do peso, lembre-se disso ou sua cadeira vai para o lixo em pouco tempo.
  • Os mecanismos de ajustes, como altura e inclinação do encosto, são bem importantes para conseguir uma boa postura de trabalho.

Fora isso, o seu gosto pessoal importa também, claro. Cadeiras são alvo de adoração por qualquer pessoa que se interessa por design, então é bem possível que você ache algo que tenha um pouco da sua personalidade também.

Suporte para monitores

Não é besteira não. Além de contribuir liberando espaço na sua mesa, suportes articulados vão ajudar muito a posicionar seus monitores na altura e posição ideais. E se você tem mais de um monitor, vai ver que sua vida vai mudar completamente ao adotar um suporte duplo. E você também pode utilizar um desses para apoiar o seu notebook. É uma solução elegante que, pra mim, melhorou muito o meu local de trabalho. No meu caso, o meu terceiro monitor, já velho de guerra, está apoiado na minha coleção de livros do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas os dois principais eu uso com suportes a gás mesmo.

Gaveteiros, armários, estantes & cia

Eu tenho um certo horror a deixar papeis espalhados pela mesa. Além de me distraírem, dão a impressão constante de bagunça. Há quem diga que você será mais produtivo se tiver um ambiente de trabalho mais organizado. Então tenha algumas gavetas, armário, prateleiras, o que for para guardar a papelada de forma minimamente organizada. Não precisa gastar com isso. Eu comprei um gaveteiro simples de madeira num desses sites de móveis para montar por um preço muito razoável. Ele fica debaixo da minha mesa e quase não aparece na minha frente. Pra mim, resolve. OK, eu tenho prateleiras com badulaques variados, como canecas, livros etc. Isso não é necessário. No meu caso, as prateleiras já estavam aqui quando eu cheguei.

Outros móveis

Eu não sei você, mas na minha lista ainda tem algumas coisas que eu gostaria de acrescentar com o tempo no meu escritório. Nada fundamental, mas sonhar não custa nada.

  • Um sofá-cama para receber pessoas e poder utilizar o escritório como um quarto de hóspedes ocasionalmente.
  • Um frigobar. Esse dispensa comentários… Vai me dizer que você não gosta da ideia?
  • Uma rede. Eu tenho uma varanda anexa ao escritório. A varanda já estava lá quando eu cheguei… Não custa nada colocar a rede!
  • Um aparador com água e café. Eu sei que todo mundo tem sua garrafa d’água, mas uma máquina de café e um galão de água seria uma boa, não?

Equipamentos

Agora, vem a parte mais fácil da brincadeira. Mas há alguns cuidados importantes. Se você priorizou os móveis, pode não estar com um orçamento folgado para investir em equipamentos, então vamos pensar em termos de prioridades.

Internet

Um link de pelo menos 50 Mbps é o que se espera da maioria das pessoas que trabalham em casa. Com 10 Mbps suas conferências serão um inferno. Sério! Quem tiver a graça de ter disponível uma internet como a Vivo Fibra, aproveite, antes que alguém pegue antes de você. É uma das melhores opções disponíveis hoje. Minha vida com Vivo Fibra de 300 Mbps é bem tranquila. Sim, eu pesquisei antes de me mudar. E não, eu não sou fã da Vivo, mas esse serviço costuma funcionar bem por um preço razoável.

Outra coisa para se pensar é ter um plano de contingência. Eu tenho um plano de 4G de outra operadora que não a Vivo para situações de emergência. Também coloquei uma placa de Wi-Fi no meu desktop só para poder usar o 4G do meu celular nesses casos. Em quase dois anos, só aconteceu uma vez, mas vai que você está atendendo a um cliente crítico e fica sem internet?

Microfones, fones de ouvido e alto-falantes

Trabalhar em casa significa muitas vezes participar de várias conferências. A câmera pode não ser o mais importante, mas o áudio, sim. Então você tem algumas opções. Se você tem um ambiente com muito barulho em volta, vai preferir certamente utilizar um headset para conseguir ouvir melhor as pessoas e para que o microfone capte a sua fala bem próximo da sua boca. Essa brincadeira pode ir longe, existem headsets com cancelamento de ruído ativo que têm um excelente isolamento dos barulhos externos.

Não utilize o microfone e o alto-falante do seu notebook. Sério! O microfone do seu notebook, em 99% dos casos, é bem ruim, e você vai ouvir bem mal as pessoas. Quebra um galho uma vez ou outra, mas utilizar o áudio do seu notebook todo dia é um sofrimento. Você não entende direito o que as pessoas falam, as pessoas não entendem direito o que você fala, e você pode ficar até com dor de cabeça no final de uma conferência com mais de 30 minutos.

Outra opção é ter um microfone e caixas de som externos. Existem opções excelentes por aí. Eu comprei um microfone muito bom, o M-Audio, mas que tem um defeito grave: ele capta o som em todas as direções. Com isso, ele facilmente provoca eco nas minhas conferências. É ótimo para gravar, mas ruim numa conferência. Um microfone excepcional é o da Yeti. Ele tem uma qualidades excelente, e você pode trocar o tipo de captador por um direcional para evitar eco, por exemplo. Existe, inclusive, uma versão com braço articulado e suporte que elimina vibração, o Yeticaster.

Eu realmente não faço questão de caixas de som externas. No meu caso, eu uso um monitor com alto-falantes embutidos que são o suficiente pra mim. Se você é um entusiasta, recomendo as caixas de som de madeira com entrada USB da Edifier, que são muito boas. Você vai trocar de computador algumas vezes e suas caixas de som continuarão lá, com um som limpo e claro.

Algo mais em conta pode ser utilizar uma câmera com microfone integrado, como o famoso C920 da Logitech. Funciona bem e você não paga uma fortuna. A câmera é boa, e o microfone também.

A última opção, se você não estiver disposto a gastar muito e não participar de muitas conferências, é utilizar um fone de ouvido com microfone, do tipo que vem junto com o seu celular. Não funciona tão bem nem é muito confortável, mas quebra o galho.

Câmera

Você não precisa de uma grande câmera, pode utilizar a do seu notebook mesmo. A não ser que você seja um streamer profissional, não gaste com isso. Uma C920, como citei antes, resolve bem.

Mouse

É impressionante como as pessoas dão pouca atenção ao mouse que utilizam. Mas quem fica mais de 4h por dia na frente de um computador deveria se preocupar com isso, mesmo que você passe mais tempo digitando.

Você não precisa de um mouse gamer muito incrementado. Mas, sim, de um mouse confortável, ergonômico e, na minha opinião, sem fios. Uma mesa com menos fios é uma mesa mais saudável para se trabalhar. Hoje vou fazer a propaganda da Logitech, pois três dos meus mouses favoritos são dessa marca.

  • MX Ergo: não é um mouse, é um trackball na verdade. Mas é a coisa mais ergonômica que você pode encontrar. Pode levar um tempo para se acostumar. Se você tem mais de um monitor, às vezes, pode ficar meio perdido. Mas é uma experiência muito boa, particularmente se utilizá-lo inclinado.
  • MX Vertical: é inclinado como o Ergo, mas é um mouse normal. Muito confortável e ergonômico. Muito mesmo! Existem outros mouses inclinados como ele, mas acho que a qualidade deste é muito boa.
  • MX Master 3: não é inclinado como os anteriores, é um pouco menor e bem confortável. A roda de scroll dele é como sempre deveria ser em todo mouse.

Eu particularmente gosto de mouses onde a mão se encaixa neles. Alguns gostam de mouses menores ou que possibilitem trocar de mão facilmente. Enfim… Experimentar mouses de primeira linha é algo que vale a pena.

Teclado

Aqui a coisa complica um bocado. Antigamente, eu gostava de dizer que as únicas coisas que eu tinha da Microsoft eram teclado e mouse. Eles tinham produtos acima da média. Quando eu aposentei o meu Microsoft Sculpt Comfort Desktop, prometi que seria o meu último teclado da Microsoft. Além de não ser tão confortável assim, a qualidade anda bem questionável. Não duraram dois anos direito comigo. Outros não duram sequer um ano e entregam uma qualidade mais questionável ainda.

Hoje você tem opções bem mais variadas. Os teclados mecânicos ficaram populares com os gamers. Tem teclados muito bons mesmo. Eu tive um Razer BlackWidow Lite que considero uma ótima opção: compacto, robusto, relativamente silencioso e confortável de usar. Existem duas coisas que me incomodavam nele: o barulho e o cabo. Mesmo os mais silenciosos fazem uma quantidade razoável de barulho, e eu realmente tenho a mão pesada, sou daqueles que aprenderam a datilografar em máquinas de escrever manuais. Quando você está numa conferência e ouve alguém digitar num teclado mecânico, percebe como isso incomoda. Imagina num escritório com outras pessoas. Eu não quero um teclado competindo com a minha voz enquanto estou dando uma consultoria, uma aula ou palestrando. Mas se você tem mãos de fada, é só evitar os teclados mecânicos cherry blue (que podem ser muito agradáveis mas são realmente barulhentos).

Se você está decidido a comprar um teclado mecânico e quer entrar nesse universo, recomendo começar com os vídeos do Fábio Akita sobre o assunto. Eu, desta vez, optei por um teclado mais fino, parecido com um teclado de notebook, sem fio e com bateria ao invés de pilhas. Comprei um Logitech MX Keys. Ele tem lá seus defeitos: não tem layout ABNT2, e as teclas mais largas, às vezes, fazem um pouco mais de barulho. Fora isso, é um excelente teclado, e acho que é bem confortável. OK, eu sei, parece que eu estou fazendo propaganda para a Logitech. Confesso que, antigamente, eu torcia o nariz para os produtos da marca. Uma coisa bacana de optar por vários dispositivos da mesma família MX da Logitech é que eu posso utilizar dois mouses e um teclado com apenas um receptor espetado na porta USB. Menos fios e menos portas utilizadas.

Monitor

Ter um notebook é quase uma obrigação para quem trabalha com home office. Mas usar só a tela do notebook, às vezes, não é a coisa mais confortável do mundo. A ideia do notebook é permitir mobilidade: ser leve e ocupar pouco espaço. Mas trabalhar todo santo dia nele pode não ser a melhor opção. Ter uma segunda tela parece um pouco confuso para algumas pessoas, mas é uma ótima alternativa em N situações. Se você estiver numa conferência, por exemplo, pode compartilhar uma tela e deixar a conferência rolando em outra.

Se você sofre de hipermetropia ou tem vista cansada, vai preferir uma tela maior também. Telas de 24″ para mim tem um bom tamanho. Ter pelo menos uma tela com alto-falantes também pode ser uma boa, assim você não precisa de caixas de som externas. Se você pretende ter apenas um monitor principal, considere a possibilidade de utilizar um ultrawide e/ou curvo. A experiência é bem interessante. Só acho chato quando alguém compartilha uma tela ultrawide numa conferência: uma parte da tela fica cortada, e as letras ficam pequenas para todos os demais que não utilizam uma tela desse tipo. Se você for fazer streaming ou gravar vídeos compartilhando sua tela, também vai ter que tomar cuidado com isso.

Não sou muito exigente com monitores, talvez esteja na hora de ficar mais. Existem opções muito interessantes com preços variados. Uma alternativa que eu achava legal era ter um suporte que permitisse virar o monitor na posição vertical, mas com suportes a gás eu não uso mais o suporte original do monitor, então isso deixou de ser um requisito para mim. Mas existem suportes de diversos tipos e com diversas regulagens. Então, se você não pretende usar um suporte externo com um braço articulado a gás (o que eu realmente recomendo), fique de olho no suporte que vem integrado para ver as opções disponíveis. Você vai precisar ajustar pelo menos a altura do monitor, ou vai começar a colocar livros embaixo dele.

Desktop / Notebook

Acho que todo mundo deve ter um notebook à mão. Em algum momento, você vai ter que participar de uma reunião externa, viajar ou mesmo trabalhar num café pra variar. No entanto, eu não dispenso um bom desktop. Você tem muito mais opções de processadores, memória, placa de vídeo etc. Mas como boa parte de tudo que a gente roda hoje está na nuvem, eu sinto mesmo é falta de duas coisas: discos SSD de qualidade razoável e memória. Eu não considero comprar um notebook ou desktop com menos de 16 GB hoje em dia. Você se acostuma rapidamente a trabalhar com muitas abas e janelas abertas sem dificuldades, ter máquinas virtuais e outras coisas rodando ao mesmo tempo. Enfim, com 32 GB de memória você tem folga para trabalhar sem muita preocupação e testar coisas mirabolantes. Placas de vídeo não fazem muita diferença para o tipo de trabalho que eu executo. Um bom gabinete e uma boa fonte são um investimento que garante uma longa vida para o seu conjunto, com boa ventilação e pouco barulho. Eu compro uma máquina pensando numa vida útil de três a cinco anos. Por isso, acho que gastar um pouco mais e ter algo que dure vale a pena. Mas isso é um critério pessoal, de quem precisa de uma máquina para trabalhar, não para se exibir.

Quando fui organizar o home office da minha mãe, eu optei por um computador All in One. A CPU fica acoplada atrás da tela, e o design é realmente muito bom, ocupando pouco espaço na mesa. Ela realmente adora esse layout, se sente mais confortável com algo integrado sobre a mesa. Diz ela que é algo “menos assustador” que o meu ambiente de trabalho.

Nobreak

Mesmo que você não tenha um desktop, ter um nobreak pode salvar a sua vida. Se a luz acabar, o seu roteador vai desligar, seu monitor etc. Ter um nobreak pode dar tempo para você reagir adequadamente numa situação de emergência. Eu gosto muito dos nobreaks da SMS e APC, de preferência com pelo menos 1.2 KVA. Se tiver um desktop, pode ser que algo um pouco maior seja uma boa ideia. Eu utilizo um de 2.2 KVA que me dá uma autonomia de cerca de 30 minutos.

Impressora e scanner

Eu uso cada vez menos essas coisas, mas é bom ter. O problema é que ocupam um baita espaço na mesa. Como eu uso pouco a impressora, uma jato de tinta parece uma opção mais flexível que uma a laser. Minha mãe é professora, para ela eu comprei uma impressora a laser pequena que dá conta de um volume maior com mais velocidade. Eu uso uma boa jato de tinta com cartuchos de tinta independentes do cabeçote de leitura. Toda vez que organizamos um evento, eu a levo junto com papéis fotográficos. Dá pra fazer coisas incríveis nela. Seja como for, fuja das impressoras muito baratas. Em geral, os cartuchos de tinta duram muito pouco, custam caro, aguentam um volume muito pequeno de impressão, além de serem bem lentas.

Eu desisti de ter um scanner no escritório. Além de ocupar muito espaço, as opções mais simples têm uma qualidade horrível. Aquelas opções de scanner e impressora num mesmo equipamento, então, são sofríveis no mínimo. Como uso pouco, eu optei por utilizar o celular mesmo, com um bom app, como o CamScanner. Mas se você realmente precisa de um scanner, uma opção que eu gosto muito são os Fujitsu ScanSnap. Compactos, robustos e precisos. Embora as pessoas estejam mais acostumadas com outras marcas de scanners, eu vi milhares deles trabalhando na digitalização de cheques em agências bancárias. São muito bons mesmo. Claro, existem opções específicas para necessidades especiais, mas aí é outra história.

E aí, vale a pena?

Olha, não teremos um escritório formal tão cedo. Todos os nossos colaboradores são DBAs seniores ou especialistas. A maioria trabalha em casa mesmo. Todos nós investimos tempo e dinheiro nos nossos escritórios em casa. Há tempos atrás, eu me lembro de ter que brigar para ter uma cadeira decente no local de trabalho. Agora, eu escolho a que eu quero. Pago caro por isso, claro. Mas mesmo empresas maiores, que estão adotando o home office, têm ajudado seus funcionários a montar um ambiente mais sadio de trabalho. Nós fazemos isso com nossos colaboradores.

Algumas pessoas podem achar esnobe ficar falando sobre opções caras, ainda mais numa época em que muitas pessoas estão com pouco dinheiro, desempregadas ou fechando empresas, sem contar o dólar lá em cima. Vale lembrar que isso é um processo de longo prazo, levei cerca de seis anos para chegar até aqui. Mudei de endereço duas vezes e por aí vai. Eu realmente acredito que, sempre que possível, você deve optar por qualidade e produtos que durem. Nem sempre é viável. Convivi muito tempo com opções bem distantes do ideal. Fui priorizando o que eu achava mais importante, e alguns itens tiveram que esperar um bom tempo até que eu tivesse condições de pagar. O ritmo de quarentena também piorou muito as condições de trabalho, mesmo para quem já fazia home office. Então, ter um escritório bem estruturado certamente irá amenizar estes dias turbulentos e ajudar a enfrentar longos dias de trabalho.

E você: como está se adaptando? Já trabalha em casa faz tempo? Tem alguma dica para compartilhar?

Fabio Telles Rodriguez

DBA Oracle e PostgreSQL há mais de 15 anos. Grande experiência com ambientes críticos, grande porte, desenvolvimento, segurança e performance em banco de dados.

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