Sobre o PGCon Brasil, ou melhor PGBR

A notícia agora é oficial, o PGBR 2010 foi cancelado.

Isso exige um pouco de reflexão. E como faz tempo que eu não faço isso por aqui, lá vai…

Bom, quem acompanha o blog aqui está careca de saber que em 2009 eu fui uma das pessoas que colaborou na organização da “III Conferência Brasileira de PostgreSQL“, também conhecida como PGCon Brasil 2009. Bom a organização de um evento deste porte não é nem de perto algo como a organização de um FISL. Mas não é nada simples. Quando você cobra R$ 100,00 pora alguém entrar num evento, tem que fazer este investimento voltar para a pessoa. É um compromisso que você assume. Não pode pisar na bola.

Para quem não sabe, existem 3 tipos de eventos que se encaixam aqui no Brasil:

  • O PG Metting, que seria algo como um Happy Hour com uma palestra e um convite para tomar uma cerveja depois. Em São Francisco, CA, o povo do PostgreSQL se encontra toda  na 3ª quinta-feira de cada mês. É algo que São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, teriam todas as condições de fazer. Basta achar um local e criar a tradição. Tenho muita vontade de criar algo deste tipo aqui em São Paulo, mas não pode ser no dia do meu rodízio, hehehe.
  • O PGDay, que é um dia de palestras em um evento em geral direcionado para novatos. Assim como o PG Metting, pode ser organizado com custo zero, sem cobrar ingresso e sem patrocínio. Se tiver patrocínio, ótimo, mas não é preciso. Já foram vários PGDays com muito sucesso até agora. No ano passado tivemos: Brasília, São Paulo-SP, Porto Velho-RO, Ji-Paraná-RO, Porto Alegre-RS e ainda Florianópolis-SC. Este ano foram Ilheus-BA, Manaus-AM e São Paulo-SP, mas ainda deverá acontecer um no Rio de Janeiro-RJ. Vejam que não é pouca coisa. A simplicidade na organização e o aproveitamento de palestrantes locais é a chave do sucesso. E é a porta de entrada para novos colaboradores na comunidade.
  • O PGBR, antes era chamado de PGCon Brasil, mas atendendo ao pedido do Dan Languile, trocamos o nome. Questões internas, não vale a pena discutir e não é nenhum problema para nós. É o grande evento da comunidade nacional e tem tudo para ser referência em toda a América do Sul e é também um dos maiores eventos de usuários de PostgreSQL do mundo. Ele não é voltado para novatos, é voltado para quem já trabalha ou esta avaliando seriamente a possibilidade de trabalhar com o PostgreSQL. Aqui o nível das palestras vai de intermediário para avançado, passando por uma sala reservada aos Hackers onde o nível é para quem quer fazer coisas realmente divertidas.

<mimimi mode ON>
No ano passado a organização do PGCon Brasil 2009 tomou muito do meu tempo assim como o tempo de muitos outros como o Euler Taveira, Diogo Biazus, Leonardo Cezar, Fernando Ike, Marcelo Costa, a equipe da 4Linux e muitos outros mais. Mas houve algo curioso em 2009, que não houve nas outras 2 edições do evento em 2007 e 2008: pouca repercussão. Antes de depois do evento, vi pouca divulgação, comentários, posts em blogs, fotos, etc. E o mais estranho é que o evento deve defeitos mas não se pode dizer que foi pior que os anteriores, então o que aconteceu? Eu não sei exatamente o que aconteceu, só posso especular aqui. Uma pista é o que houve com muitos organizadores este ano: eu, Euler, Fike e Diogo, nos afastamos um pouco da comunidade. E isto teve um peso forte. Mas nós temos trabalhado juntos há alguns anos, o que houve? Bom, quando começamos, o PostgreSQL era quase um hobby para alguns de nós, hoje começa a ser meio de vida. Isso acontece em várias comunidades, eu vi isso claramente aqui no PSL-ABCD. Veja que por outro lado, este anos foram 3 palestrantes brasileiros no PGCon 2010, lá no Canadá! O nível tem crescido, e o nosso tempo disponível está indo para o ralo. De toda forma, depois de ralar muito, ver uma repercussão baixa após o PGCon 2009 também me desanimou um pouco.
<mimimi mode off>

O que aprendemos no passado

  • A burocracia é nosso inimigo número 1. Projeto de captação, contratos de patrocínio, notas fiscais, as inscrições, notas de empenho, prestação de contas, etc, etc, etc. Conseguir tirar esta parte burocrática da frente é uma meta que pode mudar tudo. A burocracia é o nosso maior inimigo. Ele nos leva ao próximo ponto:
  • As inscrições não podem ser realizadas pela comunidade. Receber dinheiro dá muito trabalho e fazer isso do jeito certo dá um absurdo de trabalho. Se tivéssemos patrocinadores em abundância, seria muito, mas muito mais fácil não cobrar nada. Não se trata apenas de ter um bom sistema para fazer as inscrições (coisa que o Euler fez do zero), não se trata apenas de ter banco, nota, recibo, documentação, etc. Se trata de ter alguém que atenda a meleca do telefone o tempo todo e resolva as dúvidas, encaminhe os processos bizarros de alguns órgãos públicos e suas notas de empenho from hell.
  • Patrocínio em troca de serviços é um bom negócio. Ao invés de receber dinheiro, receber o serviço. Foi assim com os brindes (canecas, pins, chaveiros, etc), com o credenciamento e com o Coffee Break. Tira uma boa parte da carga de burocracia e preocupação das nossas costas.
  • Começar a organização com pelo menos um ano antes e adiantar ao máximo as coisas no começo, garante que o evento saia, pois:
    • Reservar auditório com menos de 6 meses de antecedência é quase impossível, com 12 meses também não é tão fácil assim;
    • Ter o plano de captação pronto, com local e data definidos com mais de 6 meses de antecedência torna possível conseguir patrocínio. Com isso na mão, muitas portas vão bater na sua cara, mas outras vão se abrir. Sem isso, só na base da amizade mesmo, nem pense em órgãos públicos;
    • Os palestrantes internacionais precisam se agendar com muita antecedência e comprar passagens adiantado sai bem mais barato;
    • Com local, data e plano de captação prontos com um ano de antecedência, você tem tempo de se dedicar aos zilhões de detalhes que vão surgir nos 6 meses que antecedem o evento;
    • As inscrições tem de abrir cedo, para você começar a ter dinheiro em caixa cedo.
  • O valor das incrições tem de cobrir pelo menos os dois maiores custos do evento: a locação dos auditórios e o coffee-break.
  • Receber dinheiro de patrocinadores estrangeiros é um inferno. Então peça a eles que ajudem no pagamento de viagens de palestrantes internacionais;

Que venha o PGBR 2011!

Bom, e porquê o PGBR 2010 não deu certo? De certo não vale a pena entrar nesta questão. Pessoas, trabalharam muito para tentar organizar o evento mas isso não foi sificiente. A única coisa realmente óbivia é que a organização começou muito tarde. Mas de fato houveram pessoas que trabalharam bastante e imagino o quanto elas estejam frustradas agora. Muito mais do que aqueles que já aguardavam com expectativa o evento deste ano.

Agora é hora de pensar em 2011 e nos PGMettings e PGDays que podemos fazer em breve. Não temos tempo para ficar se remoendo mais, já estamos em cima da hora para começar o PGBR 2011. O mercado de PostgreSQL está crescendo, com o 9.0 está aparecendo um novo Standby em cada esquina. Vamos que vamos gente, que atrás vem muita gente!

4 comentários sobre “Sobre o PGCon Brasil, ou melhor PGBR

  1. Eu, como você e o Diogo resolvemos nos afastar da organização do PGBR 2010 este ano. Isso nos tomava muito tempo e aumentava o estresse durante os meses que antecediam as conferências.
    Depois que vi o email do Charly fiquei por algum tempo refletindo o que deu errado. Tínhamos uma nova equipe motivada a organizar o PGBR 2010, porém, ao passar do tempo percebi as coisas estavam mais na conversa (talvez por falta de tempo ou proatividade — não sei) do que na ação em si. Isso culminou na morte do “porco” (cancelamento do evento). Na minha opinião, a edição PGBR 2010 não saiu porque houveram poucos “porcos” e muitas “galinhas”. Uma lição que levamos disso é que na próxima edição (PGBR 2011), precisamos de mais “porcos” na organização.

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  2. Não tem o que dizer o que deu errado, isso é natural (a morte do porco). É próprio do aprendizado de quem vai organizar e das características dos grupos de usuários, a maioria dos projetos de Software Livre são muito poucos que continuam fazendo desde o início.

    Também não foi por falta de aviso que deveria adiar o evento para 2011. Se não me falha a memória, disse isso insisti no assunto numa reunião presencial que aconteceu em Brasília em Abril 2010, por causa do prazo com patrocinadores, tempo curto, etc.

    É um evento comunitário, não tem que agradar à todos ou ter estrutura profissional. As pessoas são voluntárias, se o PGBR não for um evento que se divirtam o mínimo, acontece como este, as pessoas se cansam, param de fazer.

    Os porcos que o Euler disse é uma excelente analogia pois Qtos Brasileiros contribuem p/ o ecossistema do PostgreSQL? Porque não tem um encontro nacional de Ubuntu fora do FISL, etc?

    PS. Eu entendi o sentido do Porco do Euler, só não entendi de onde tirou isso. 😀

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  3. Telles,

    Tem uma coisa que não poderia deixar de dizer: vocês sempre fizeram um excelente trabalho. Os eventos de Software Livre no Brasil são, em geral, uma verdadeira bagunça. O falecido PGCon (agora PGBr) sempre se destacou, na minha visão, pela boa organização e alta qualidade técnica das palestras.

    O mais importante é o legado, que certamente não será esquecido. Agora é botar a bola pra frente e trabalhar no próximo evento.

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  4. Trabalho para o grupo Caco de Telha. Além de cuidarmos da carreira de Ivete Sangalo, temos várias empresas.
    Uma delas, a Nova Promoções e Conteúdo é especializada, entre outras coisas, em eventos.
    Entrem em contato comigo, por meu email registrado neste comentário. Se vocês quiserem, posso consultar a direção da Nova e verei se podemos ajudar vocês a fazer a 2011. Não posso garantir nada, mas caso queiram, prometo submeter uma proposta de avaliação à Nova e ver se haveria interesse e condição em abrir mais este projeto para o ano que vem.

    Sobre nós, sobre mim, e o como vim para aqui:
    Atualmente rodamos BROffice e Thunderbird como soluções de compartilhamento de conteúdo em nosso parque heterogêneo (Macs, Linux e alguns Windows). Novos projetos envolvendo DBs apontamos para o PostgreSQL (large ou shared) e SQLite (para storage de apps locais simples).
    Basicamente posso dizer que sou um entusiasta do desenvolvimento compartilhado de grandes aplicações e usuário de software livre de qualidade, por isso acompanho PostgreSQL, Ubuntu Linux, LibreOffice, Thunderbird, Firebird, etc, etc.

    Abc,

    Rick A.
    Gerencia de Tecnologia
    Grupo Caco de Telha

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