• Missão padrasto

    Missão padrasto

    Eu tenho um filho com seus 20 anos agora. Mas antes de ser pai eu fui padrasto. Me casei por duas vezes e fui padrasto em ambas situações. Nunca gostei da expressão “enteado”, mas tecnicamente é isso que se diz do filho da mulher com quem você decide dividir o teto.

    Ser um bom padrasto envolve suas especificidades, uma certa delicadeza que você tem que incorporar na sua vida. A primeira delas é a de que você não é o pai. Não vai substituir o pai. E não deve jamais ter esse tipo de raciocínio na cabeça. Como consequência, não cabe a você disciplinar, dar sermão, brigar, ralhar, e obviamente, bater. Se alguém tem que fazer isso é a mãe. Você pode é claro discutir algumas coisas com a mãe, num foro privado e com muito, mas muuuito tato. Eu sei, não sou a pessoa mais delicada e cuidadosa numa conversa. Mas se você ama a pessoa que está ao seu lado, você pensa (ou deveria pensar) mil vezes antes de dar pitaco em alguma coisa sobre a educação de um enteado. Faz uma observação sutil, vê se ela é bem recebida, pergunta o que ela acha e vai tateando aos poucos. A decisão de impor alguma regra, limite, conversar, etc com o enteado deve ser sempre da mãe. Você no máximo sugere alguma coisa. E sugere quando achar que isso é realmente relevante. Senão deixa pra lá. Conviver com gente significa conviver com coisas que você não gosta e tudo bem.

    Se o seu enteado quiser ver o pai, você incentiva. Se o pai der o cano, esteja lá para amparar. Mas jamais faça críticas ao pai biológico, não interessa o que ele faça (a mãe pode criticar a vontade, se quiser, você não). Você não conviveu com o pai biológico. Você não precisa ser melhor que ele. Você só precisa estar lá. Estar lá com os dois pés no chão. E mais uma vez, você não quer substituir o papel do pai. Mas tem outras coisas que você pode fazer. Você pode apoiar seu enteado quando ele se interessar por alguma coisa. Você pode ensinar alguma coisa se ele demonstrar curiosidade com algo que você tem familiaridade. Mas tem uma regra importante aqui. Você não pode criar expectativas. Não pode impor sua vontade. Não pode achar que seu enteado tem que se interessar pelas coisas que você se interessa ou por aquilo que você considera importante para ele.

    Um bom padrasto tem que ter um pouco mais de paciência. Tem que ouvir mais e falar menos. Um bom padrasto dá o exemplo ao invés de dar lição de moral. Dar o exemplo é muito mais importante, na verdade. Seu enteado sabe perfeitamente distinguir um discurso vazio, sabe perceber quando você está sendo incoerente. Melhor do que a gente mesmo é capaz de se perceber. Tentar ser um bom ser humaninho costuma funcionar melhor. Seja melhor, porque é importante ser. Não abane um cartaz mostrando que está fazendo uma boa ação, não faça propaganda cada vez que fizer um gesto generoso. Apenas faça. Seja uma pessoa melhor. Cuide de si mesmo melhor. Faça exercícios regularmente, leia, estude, faça coisas diferentes, aprenda coisas novas. Talvez alguma dessas coisas possa despertar a curiosidade do seu enteado. Talvez ele possa lhe acompanhar em alguma coisa. Ou não. Eu sempre quis que meu filho aprendesse a pedalar. Sempre sonhei em pedalar com meu filho, como eu pedalei com meu pai. Não rolou. Nenhuma das minhas EX pedalava comigo, nenhum dos meus enteados tão pouco. Isso não significa que o fato de eu gostar de pedalar não tenha uma influência positiva. Eles vão perceber que você volta mais feliz, que você fica mais disposto na época que pratica exercícios regularmente. E por aí vai. São referências positivas. Se você tiver um bom relacionamento com a mulher com quem decidiu dividir o mesmo teto, isso certamente terá um impacto incrível na vida do seu enteado. Não se trata apenas de tratar bem da mãe dele. Se trata de oferecer uma possibilidade de amor positiva. De poder ser algo bom. Boas referências fazem toda a diferença.

    No final, ser um bom padrasto deve significar mesmo ser um bom pai. Um bom pai não deveria fazer uma série de coisas idiotas que a gente sabe que não deve fazer como padrasto. Não sei se sou um bom pai. Não faço esse tipo de pergunta para o meu filho. Muito menos para os enteados. Eu me preocupo? Pra caráleo! Eu faço um bom trabalho? Espero que sim. Possivelmente meu filho e meus enteados tem uma opiniões bem diferentes… mas a gente segue tentando, e isso não depende do relacionamento com a mãe deles terminar ou não. Filhos são para sempre. Enteados também.

  • PostgreSQL, o banco de dados mais amado… todo ano isso?

    PostgreSQL, o banco de dados mais amado… todo ano isso?

    Então… saiu mais uma pesquisa do StackOverflow, e pra variar, só dá PostgreSQL de ponta a ponta… Não é só o DB-Engines não, geral e não é de hoje…

    O Banco de dados mais amado…

    O mais desejado (o que mais gente quer começar a usar)

    O mais utilizado por profissionais

    Sorte de principiante?

    Só que não! Veja a pesquisa de anos anteriores

  • O futuro do PGConf.Brasil

    O futuro do PGConf.Brasil

    O PGConf.Brasil 2022 está no ar, com tudo em cima para acontecer nos dias 26 e 27 de agosto:

    • Há mais de 75 dias para o evento já temos mais de 100 inscritos
    • Uma grade espetacular com 4 salas simultâneas resultado do maior CFP da nossa história, com 93 propostas recebidas
    • Temos literalmente um engarrafamento de patrocinadores, e estamos tendo que lidar com o limite de espaço físico para estandes no saguão do evento
    • Pela primeira vez vamos utilizar tradução simultânea para o auditório principal, que possui em sua maior parte palestrantes internacionais
    • O Happy Hour também está garantido com as nossas tradicionais cervejas artesanais feitas exclusivamente para o evento pela Brew Club Co
    • Estamos com um time incrível trabalhando diariamente na organização, incluindo boa parte da nossa equipe: eu, Fabrizio Melllo, Gabriel Baggio, Karin Keller, Letícia Mirapalheta, Mariana Oortman, Patrícia Muniz e Taís Bonizoli.

    Enfim, com a seca de 2 anos sem eventos presenciais, este promete ser épico.

    Em 2022, vamos será a nossa 10a Conferência Brasileira de Postgres, que já passeou um pouco por aí, já tivemos:

    • 2007: PGCon Brasil em São Paulo / SP
    • 2008: PGBR em Campinas / SP
    • 2009: PGBR em Campinas / SP
    • 2011: PGBR em São Paulo / SP
    • 2013: PGBR em Porto Velho / RO
    • 2015: PGBR em Porto Alegre / RS
    • 2017: PGBR em Porto Alegre / RS
    • 2018: PGConf Brasil em São Paulo / SP
    • 2019: PGConf Brasil em São Paulo / SP
    • 2022: PGConf Brasil em São José dos Campos / SP

    Foi um longo caminho até aqui. Em 2006 a gente estava no CONISLI em pleno Anhiembi em São Paulo, quando juntamos uma turminha que já se encontrava em outros eventos como o FISL em Porto Alegre e resolvemos fazer um evento só para o PostgreSQL. Eu já vinha da organização de 3 Fóruns regionais do PSL ABCD e juntamos grandes figuras como o Leonardo Cezar, Diogo Biazus, Euler Taveira, Fernando Ike, Dickson Guedes e muitos outras figuras que fizeram história.

    O primeiro evento em 2007 foi feito com apoio da Tempo Real Eventos, que tinha toda uma logística para fazer eventos e simplificou muito a nossa vida. A gente cuidou da grade e dos patrocínios, eles cuidaram praticamente do resto. A partir de 2008 nós resolvemos nos virar por nós mesmos, mas precisávamos de um CNPJ para receber o dinheiro das inscrições, patrocínios, e pagar os fornecedores, tudo de forma correta. Foi aí que surgiu a ideia de nos associarmos a ASL, que era a entidade responsável por organizar o FISL. Até cogitamos em criar a nossa própria entidade, mas isso daria muito trabalho e achamos mais prático nos associar a quem já estava na pista. Eles criaram uma conta bancária para nós e colocaram a disposição o pessoal da contabilidade para nos apoiar. Deu certo, apesar da burocracia, mas em 2017 o FISL estava literalmente desmoronando, precisávamos de um novo abrigo.

    Em 2018 a Timbira assumiu esse papel e partiu pra cima da organização do evento, trazendo praticamente as mesmas pessoas envolvidas na organização dos eventos anteriores. E em todo o momento, os nossos eventos foram reconhecidos pela comunidade internacional como eventos da comunidade e não eventos da Timbira. Em 2018 já haviam regras claras sobre como fazer isso e um selo de “Reconhecimento de evento da comunidade“. Isto envolve coisas como autonomia da banca avaliadora do Call For Papers, e ter a maioria dos seus membros de fora da Timbira. Prestação de contas dos gastos e definição do destino para o lucro, coisas assim.

    Estas regras para conseguir o selo foram sendo aprimoradas aos poucos e atualmente a comunidade internacional se posiciona explicitamente favorável a existência de organizações sem fins lucrativos para gerir estes eventos. Por outro lado, nos preocupamos aqui na Timbira em fortalecer a comunidade brasileira e todo o seu ecossistema em torno. A Timbira não lucra com a realização das conferências, exceto de forma indireta, assim como ganham todos os que participam. Portando no começo de 2022 a Timbira decidiu que este seria o último ano em que organizaremos o PGConf.Brasil, que devemos voltar a organizar o evento a partir da comunidade e não de uma empresa. Para isso o ideal seria caminhar para a criação de uma entidade própria para isso, uma OSCIP com as pessoas interessadas em colaborar com o PGConf.Brasil e outros eventos da comunidade.
    Aprendemos com outras experiências de outras entidades do gênero que deram certo (como Associação Python Brasil) e que não deram certo (como Open Office Brasil). Com isso a ideia será limitar o escopo da OSCIP a eventos com reconhecimento da comunidade de Postgres. Assim podemos evitar problemas futuros e focar naquilo que realmente interessa: promover a comunidade de Postgres através de eventos que promovam a troca de conhecimento e o networking.

    Pessoalmente, eu acho que um bom começo seria discutir o assunto e montar um rascunho de como seria essa OSCIP junto com os participantes do canal PGConf.Brasil do Telegram. Gostaria muito que seja qual for a decisão da comunidade, ela se concretize até o encerramento do PGConf.Brasil 2022, já visando a organização do evento para 2023. Mas isso é uma posição pessoal, o que irá acontecer a comunidade é quem decide. Seja como for, não vou deixar de contribuir como membro da comunidade (como sempre fizemos), mas sim como sócio da Timbira. A Timbira já possui hoje uma conta bancária separada para o evento e todo o saldo ao final do evento deste ano será revertido para a entidade iniciar os seus trabalhos. Então, se você tem interesse em colaborar com o evento e estar junto conosco nessa jornada, convido você a entrar no canal do Telegram e iniciar esta jornada conosco. Vamos juntos?

  • Tendências no mercado de banco de dados

    Tendências no mercado de banco de dados

    Hoje saíram os novos dados do DB-Engines com os números acumulados até o final de maio/2022. Eu estou sempre acompanhando a evolução do Ranking . Não são infalíveis, mas talvez seja hoje a fonte de informação mais confiável que temos sobre o uso de bancos de dados. Infelizmente não existem números confiáveis sobre market share, uma vez que estamos falando de um mercado liderado por soluções Open Source, ou seja, não dá para contar o número de licenças pagas neste cenário. Para resolver esse problema o DB-Engines trabalha com uma pontuação baseada em menções em sites na internet, Google Trends, discussões no Stack Overflow e DBA Stak Exchange, oferta de vagas de empregos, Perfis no LinkedIn e relevâncias em redes sociais como o Twitter. Acho bastante razoável. E mais, eles acumulam dados de uma série histórica de quase 10 anos!

    O futuro é livre?

    Então deixe-me começar pelo final. Quero mostrar um gráfico muito significativo para ilustrar a minha afirmação no parágrafo anterior, onde afirmo que o mercado de banco de dados é hoje “liderado por soluções Open Source”:

    https://db-engines.com/en/ranking_osvsc

    Você pode até dizer que no último ano há uma tendência de acomodação com os bancos de dados comerciais com 48,8% e os bancos Open Source com 51,2%. Mas é bem diferente de 10 anos atrás onde a relação era de 64,5% contra 35,5%. Não sei se a vantagem do Open Source vai aumentar pouco ou muito nos próximos anos, mas dificilmente vamos assistir uma reversão desse quadro num curto espaço de tempo. Por outro lado… crescem os bancos de dados como serviço na nuvem, que capturam softwares de código aberto, transformando em produtos fechados, como o Aurora da Amazon, fora os já tradicionais serviços como o PaaS ou DBaaS que se espalharam para praticamente todos provedores na nuvem, e agora temos novos Serveless Database na mesma linha. Então para aqueles que sonham com um mundo livre, as preocupações não são mais software de código fechado X código aberto….

    Destaques para os últimos 12 meses

    Olhando para os últimos 12 meses os destaques positivos continuam os mesmos que deram na virada do ano a medalha de ouro para o Snowflake e a medalha de prata para o PostgreSQL. Mas hoje a medalha de bronze não iria mais para o MongoDB que acumula uma baixa de 7,49 pontos nos últimos 12 meses, mas sim para o Microsoft Access! É isso mesmo, dá pra acreditar, ele cresceu 26.88 pontos no período. É claro que se você olhar para a evolução dele nos últimos 10 anos, temos uma tendência de queda, mas há uma recuperação realmente surpreendente recentemente. Alguém aí sabe me explicar? Eu esperava uma queda lenta e dolorosa para o Access, como vemos com o DB2, mas alguma coisa está empurrando o Access para cima.

    Houve quem achasse que era pegadinha de 1o de abril esses dias:

    https://twitter.com/MarkusWinand/status/1509904492304740381

    De qualquer forma, impressionante é o crescimento do Snowflake que surgiu no final de 2016 e hoje figura na 13a posição do ranking com 96,42 pontos, devendo passar em breve competidores tradicionais como MariaDB, Cassandra e SQLite. Mas será que esse crescimento acelerado vai se sustentar por muito tempo? Não é novidade algum banco ter um rápido crescimento mais não sustentar por muito tempo, como por exemplo o MariaDB, o Elasticsearch, Redis, SAP Hana, Microsoft Azure Cosmos DB e mais recentemente o Microsoft Azure SQL Database.

    Olhando o gráfico parece dizer que não… mas se eles continuarem a atrair investimentos, quem sabe? O fato é que romper a barreira dos 200 pontos e chegar no Top5 não é para qualquer um. Eu diria que a disputa até o 6o lugar permanece bem embolada:

    Top5

    Se a gente olhar apenas para o Top5, as coisas parecem bem mais estáveis. MongoDB e PostgreSQL ficaram embolados no 4o e 5o lugar por um tempo, mas há um bom tempo o PostgreSQL tem se consolidado na 4a posição. Vale notar que há 10 anos atrás o PostgreSQL estava com 195 pontos e hoje tem 620 pontos. Ou seja, triplicou de tamanho e mantem um crescimento bem sustentável. O MongoDB saiu de 101 pontos e está em 480 pontos, um crescimento maior ainda, mas não apresenta mais uma tendência de crescimento nos últimos meses.

    Oracle, MySQL e Microsoft SQL Server lideram o topo do ranking com boa folga e com oscilações, mas mantém uma boa distâncias dos demais. Embora os 3 primeiros colocados tenham uma pontuação menor que há 10 anos atrás, apenas o SQL Server tem uma tendência clara de queda, saindo de 1249 pontos para 933 pontos.

    Uma boa pergunta hoje é: Quando o PostgreSQL vai alcançar o Microsoft SQL Server? Se pensarmos que o PostgreSQL cresceu 425 pontos e Microsoft SQL Server caiu 316 pontos, a diferença atual de 313 pontos deve desaparecer nos próximos anos, com a diferença caindo mais de 100 pontos por ano. Será que em 2025 o PostgreSQL vai alcançar o 3o lugar?

    E a nuvem?

    Mas antes de dizer que a Microsoft está fora do jogo, é preciso tirar os pés do chão e ir para as nuvens… a Microsoft está investindo pesado numa série de novos produtos específicos para rodar na Azure:

    • Microsoft Azure SQL Database em 15o lugar, com 86,01 pontos
    • Microsoft Azure Cosmos DB em 27o lugar, com 40,98 pontos
    • Microsoft Azure Synapse Analytics em 36o lugar, com 21,33 pontos
    • Microsoft Azure Search em 58o lugar, com 7,61 pontos
    • Microsoft Azure Data Explorer em 59o lugar, com 7,34 pontos
    • Microsoft Azure Table Storage em 77o lugar, com 5,76 pontos

    Me parece que a Microsoft está mudando de estratégia para investir mais na nuvem. E não está sozinha, claro, a AWS, líder no segmento tem seus brinquedinhos também:

    • Amazon DynamoDB em 16o lugar com 83,88 pontos
    • Amazon Redshift em 31o lugar com 26,19 pontos
    • Amazon Aurora em 45o lugar com 13,14 pontos
    • Amazon Neptune em 108o lugar com 2,82 pontos
    • Amazon CloudSearch em 120o lugar com 2,21 pontos
    • Amazon SimpleDB em 122o lugar com 2,10 pontos
    • Amazon DocumentDB em 128o lugar com 1,87 pontos
    • Amazon Timestream em 174o lugar com 1,02 pontos
    • Amazon Keyspaces em 225o lugar com 0,58 pontos

    Uma posição peculiar, o PostgreSQL

    E a mesma estratégia pode ser verificada com o Google, Alibaba e Oracle. Notem que o PostgreSQL acaba aparecendo várias vezes no ranking com seus derivados, em diferentes situações além da 4a posição:

    • PostGIS em 28o lugar, com 31,68 pontos
    • Amazon Redshift em 31o lugar, com 26,19 pontos
    • Netezza em 37o lugar, com 19,48 pontos
    • Greenplum em 43o lugar, com 13,27 pontos
    • Amazon Aurora em 44o lugar, com 13,14 pontos
    • TimescaleDB em 83o lugar, com 4,56 pontos
    • EDB Postgres em 123o lugar, com 2,10 pontos
    • Citus em 133o lugar, com 1,74 pontos
    • Postgres-XL em 208o lugar, com 0,71 pontos
    • AgensGraph em 322o lugar, com 0,09 pontos
    • ToroDB em 340o lugar, com 0,03 pontos

    Isso torna o PostgreSQL realmente único no ranking, por ter derivações distantes como o Redshift, versões que são apenas extensões, como o PostGIS, Citus e TimescaleDB e adaptações para a nuvem, como o Aurora e agora o AlloyDB recém lançado pelo Google, que logo vai aparecer no ranking.

    Sobre a Oracle

    No meio disso tudo ainda me intriga o fato de outros produtos da Oracle não apareçam explicitamente no ranking, o que poderia até estar enviesando o resultado para cima e para baixo: se o Exadata e o Autonomous Database estiverem na conta da primeira posição, deixa a comparação com a Microsoft equivocada, se está faltando computar dados sobre eles, então a Oracle pode estar sendo subestimada no ranking, e eles terem uma influência maior do que parece. Novamente aqui, alguém tem algum palpite?

    Conclusão

    Seja como for, duas tendências parecem claras hoje em dia: Bancos de dados Open Source e baseados em OpenSource continuam ganhando tração… e sim, o futuro dos bancos de dados está na nuvem.

  • Jogando Termo com Postgres

    Jogando Termo com Postgres

    Esses dias, no meio do happy hour da Timbira, estava comentando da última partida de Termo, que virou mania recentemente. Aí uma colega perguntou qual a palavra você utiliza para começar o jogo? Após ver que o nosso expert Guedes já pegou o dicionário para brincar no banco de dados, resolvi responder à pergunta com um pouco de SQL e brincar também!

    Preparação

    Vejamos como começar… o jogo Termo tem uma página onde ele diz que utiliza um dicionário com licença livre, disponível aqui. Então, basta baixar o dicionário e importar no seu banco de dados (aqui estou fazendo com PostgreSQL, mas com algumas diferenças, você pode fazer em outros bancos de dados, claro):

    CREATE TABLE palavras (p text);
    COPY palavras(p) FROM '/tmp/palavras.txt' ;

    Ou seja, criei uma tabela chamada palavras com uma única coluna chamada p e importei os dados nela. Simples e rápido.

    Depois resolvi filtrar apenas as palavras com 5 letras:
    SELECT p FROM palavras WHERE length(unaccent(p)) = 5;
    Notem aqui que eu utilizei a função unaccent, pois palavras acentuadas podem contar como mais de 1 byte.

    Brincando

    Agora como seria saber quais palavras começam com TOR e terminam com A?

    SELECT p 
    FROM palavras
    WHERE
        length(unaccent(p)) = 5 AND
        unaccent(p) LIKE 'tor_a';
    
    p
    -----
    torda
    torba
    torga
    torma
    torna
    torra
    torsa
    torta
    torva
    torça
    tória
    (11 rows)

    Já dá pra ver que é possível brincar bastante com isso.

    Agora uma contribuição do nosso colega Guedes que eu tomei a liberdade de adaptar para o meu exemplo aqui. Quais são as letras mais utilizadas na primeira posição da palavra?

    SELECT 
        substring(unaccent(p) FROM 1 FOR 1) letra,
        count() qt, 
        repeat('█', (count()/40)::int) "%"
    FROM palavras
    WHERE length(unaccent(p)) = 5
    GROUP BY 1
    ORDER BY 2 DESC;
    
    l |  qt  | %
    --+------+------------------------------------------------------------
    a | 2255 | ████████████████████████████████████████████████████████
    c | 1623 | ████████████████████████████████████████
    p | 1354 | █████████████████████████████████
    m | 1347 | █████████████████████████████████
    b | 1156 | ████████████████████████████
    t | 1151 | ████████████████████████████
    s | 1127 | ████████████████████████████
    r | 1007 | █████████████████████████
    f | 929  | ███████████████████████
    l | 869  | █████████████████████
    g | 86 7 | █████████████████████
    e | 746  | ██████████████████
    d | 690  | █████████████████
    v | 613  | ███████████████
    o | 610  | ███████████████
    i | 598  | ██████████████
    n | 575  | ██████████████
    u | 413  | ██████████
    j | 361  | █████████
    z | 271  | ██████
    h | 259  | ██████
    x | 160  | ████
    q | 82   | ██
    k | 11   |
    w | 5    |
    y | 3    |
    (26 rows)

    Melhor palavra para começar

    E agora, para responder à pergunta da minha colega… eu quero saber primeiro quais são as 5 letras mais utilizadas no dicionário?

    SELECT l, count(1) AS q
    FROM
        palavras,
        (SELECT CHR(i) AS l FROM generate_series(97,122) AS l(i)) AS letra
    WHERE p ~ l
    GROUP BY l
    ORDER BY q DESC
    LIMIT 5;
    
    l | q
    ---+--------
    a | 942848
    e | 808949
    r | 720964
    s | 714080
    i | 703338
    (5 rows)


    Agora que eu já sei que são as letras A, E, R, S e I, vou procurar palavras que tenham apenas estas 5 letras:

    SELECT p
    FROM palavras
    WHERE
        length(unaccent(p)) = 5
    AND unaccent(p) LIKE '%a%'
    AND unaccent(p) LIKE '%e%'
    AND unaccent(p) LIKE '%i%'
    AND p LIKE '%r%'
    AND p LIKE '%s%'
    ;
    p-----aires
    areis
    eiras
    erais
    reais
    ieras
    rasei
    raies
    sairé
    sarei
    áries
    seira
    seria
    érias
    (14 rows)

    E aí, vamos jogar?

    SELECT p
    FROM palavras
    WHERE
        length(unaccent(p)) = 5
    and unaccent(p) LIKE 'cai_a%'
    and p not like '%s%'
    and p not like '%r%'
    and p not like '%n%'
    and p not like '%g%'
    and p not like '%m%'
    and p not like '%t%'
    and p not like '%p%'
    and p not like '%l%'
    and p not like '%f%'
    and p not like '%x%'
    and p not like '%b%';
        p
    ---------
     caída
     caiuá
     caiçá
     caíva
    (4 rows)

  • 8 de março…

    8 de março…

    Tanto blá blá blá no dia internacional da mulher, né? Cara, flores você pode mandar qualquer dia. De preferência mande quando ela menos espera. Elogie sempre, não apenas as mulheres, mas seres humanos em geral. Pode elogiar as suas plantas e seus animais de estimação também, todos agradecem.

    Mas hoje, eu queria lembrar de uma estagiária que tive o prazer de conhecer numa multinacional em que trabalhei há uns anos. Ela fez faculdade numa das melhores universidades públicas do país, e morava em outra cidade e tudo o mais. Ela me dizia que nunca tomou um porre numa festa durante toda a graduação. Que várias amigas já foram abusadas e estupradas em festas após beberem um pouco mais.

    Lembro de outra amiga que mora numa cidade vizinha aqui. Ela adora pedalar, mas sempre se queixa de que precisa de companhia para pedalar, pois, é muito perigoso sair sozinha. Que já passou perrengue antes por ser mulher e andar desacompanhada!

    Lembro da primeira vez que socorri uma vítima de estupro, de 14 anos, saindo de uma festa, foi estuprada por um amigo que supôs que ele tinha o direito…, mas o chocante foi após levar ela na delegacia, chamar a mãe e ver toda aquela cena lamentável, foi ir tomar um café na padaria do lado e ouvir os comentários dos policiais sobre o caso.

    E conheço tantas histórias de abuso de meninas em família… gente que coisa triste. É tão comum que parece normal. E tem gente que ainda pensa que educação sexual na escola não é importante…

    Também me lembro de uma namorada que reclamava sempre que por mais que ela se destacasse, apenas os meninos do clubinho recebiam promoção. E, por outro lado… julgava que não precisava dividir a conta do motel, mesmo sabendo que naquele momento eu estava mal financeiramente…

    Hoje eu queria que as mulheres pudessem andar por onde quiserem, que possam beber e vestirem o que quiserem, que possam ser respeitadas por seus parentes, seus pares, pelas autoridades, pela sociedade como um todo. Que possam se sentir seguras na sua casa, no seu bairro, na sua faculdade, no seu trabalho, na sua cidade, no seu país, na sua cultura. Que possam ter seu mérito reconhecido no trabalho, e evoluir na sua carreira tanto quanto os demais. E que assumam a responsabilidades pelos seus gastos e seus atos, como os demais também… Por fim, que as flores façam parte do nosso dia-a-dia, assim como o respeito e a solidariedade, para todos os seres vivos, igualmente.

    OBS1: texto escrito originalmente no Facebook, era só pra ser um recadinho…

    OBS₂: eu também adoro ganhar flores e, só pra deixar registrado, as minhas prediletas são as hortênsias.

  • Sobre a academia

    Sobre a academia

    Assisti hoje à banca de avaliação da tese de mestrado da nossa Diretora Executiva aqui na Timbira, a Ilustríssima Karin Keller, ou deveria dizer, Mestra Karin Keller. Apesar de eu não ter me enveredado na carreira acadêmica, sempre estive cercado de pessoas que estudaram muito e se dedicaram à pesquisa. Aí lembrei do impacto direto que isso teve na minha vida…

    Quando eu tinha uns 11 anos meu pai estava escrevendo o mestrado dele, na Faculdade de Saúde Pública da USP. Além de sanitarista, ele era pediatra e dedicou a vida à pesquisa e combate à desnutrição infantil. Mas o curioso é que ele decidiu não escrever a tese de forma manuscrita e nem numa máquina de escrever. Então ele comprou um CP400, um brinquedo de 8 bits, mas que foi o suficiente para ele escrever a tese gravando em fita cassete! E claro, foi graças ao mestrado dele que a minha jornada na informática começou.

    Anos depois, minha mãe escreveu sobre a experiência dela, na coordenação Movimento de Alfabetização de Adultos, projeto idealizado pelo Paulo Freire. Lembro que ela tinha dois empregos, um em São Paulo, outro em Santo André e ainda assim foi fazer o seu mestrado na UFF, em Niterói/RJ, viajando de ônibus toda semana para tocar o mestrado. Ficou claro para mim que escolher a UFF, mesmo com convites fervorosos de colegas da USP, foi um ato de coragem e sacrifício. E ao ver a sua defesa de mestrado, conhecer pessoalmente o orientador, ouvir as bancas, vi que se trata de estar onde é preciso estar. Lembro-me também do Euler Taveira, que se mudou de Goiânia para Porto Alegre para fazer mestrado em banco de dados, por motivo semelhante. E não se trata apenas de achar um bom orientador, uma cadeira que lhe acolha. É toda a vida universitária, os amigos, a convivência, a atmosfera do lugar. Minha mãe renasceu em Niterói.

    Em comum as teses da minha mãe e do meu pai tinha algo que eu gosto muito de ressaltar na academia: relevância. Não foi um caminho da graduação para a iniciação científica, para o mestrado e doutorado, subindo a escadinha acadêmica e galgando as escadarias do poder das torres de marfim da academia. Quando você sai para ver o mundo, testa e vive coisas novas, e traz isso de volta para a academia, seu trabalho faz toda a diferença.

    Assim é o trabalho da Karin Keller, minha mentora aqui na Timbira, que me ensina diariamente, me ouve e me dá broncas também! Depois de 15 anos como gestora na própria empresa e agora nossa Diretora Executiva, Karin vem trazer luz para a questão de gênero no entre as ‘startups’ brasileiras. Tema atual, relevante, e que ela respirou por vários anos na empresa que ela mesmo criou, a Klavo. Não vou me ater muito às questões técnicas da apresentação, nem vou arriscar fazer comentários toscos. Mas a banca deixa claro que há material ali para ir longe… portas que se abrem e muito o que se pode investigar.

    E o todo esse trabalho de pesquisa e reflexão da Karin tem reflexo enorme na minha vida, na vida da Timbira. Todo esse arcabouço teórico e prático, toda essa reflexão aparece a cada reunião, em cada fala em cada ação. E assim vemos uma pesquisa acadêmica com “A” maiúsculo. Com relevância, impacto, e quiçá, com paixão. Se por um lado não me dediquei à academia, deixo aqui minha eterna admiração para aqueles que viveram a sua profissão, o seu conhecimento, a sua paixão na vida e trouxeram luz para ele, trouxeram à público e ousaram estudar, refletir e escrever. A contribuição dessas pessoas é um passo a mais, uma nova construção para a frase de Issac Newton:

    “Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”

    Parabéns Karin, por ousar enxergar mais longe e se tornar, nesse processo, gigante também.

  • Contando histórias para pertencer – Gallipoli

    Contando histórias para pertencer – Gallipoli

    De tempos em tempos alguma música me prende, escuto várias e várias vezes. Pesquiso, descubro de onde veio a inspiração, como foi gravado, procuro versões diferentes, etc.

    Eu gosto muito do som instrumentos de sopro, clarinetas, oboés, sax, etc. Gosto particularmente dos metais e entre eles minha paixão atualmente é o trompete. A força que me evoca é algo viceral, é como o vento…

    Esses dias uma nova música me pegou. Vem de um cantor talvez pouco conhecido, mas é um trompetista, com um timbre e estilo bem peculiar que me agradou muito. Não lembro em qual passeio pelo Spotify ele me surgiu. Mas me cativou nos últimos tempos… sei que cada pessoa lê uma obra de arte com a sua história, com seus sentimentos, com seu olhar. Gallipoli me conquistou. Na versão ao vivo abaixo temos 3 metais: o trombone, o flugelhorn (um trompete um pouco mais grave e suave) tocado pelo líder e vocalista da banda e o trompete propriamente dito.

    A música surgiu durante um passeio na Itália chegando na cidade medieval de Gallipoli, havia uma procissão saindo da igreja com padres carregando uma enorme imagem de um sando e uma banda rugindo atrás. De repente os sinos de todas as igrejas da cidade começam a tocar e a procissão avança pelas ruas estreitas da cidade com paredes de pedra de uma cidade costeira em forma de forte. O momento catártico dura horas e eles se perdem pela cidade e só se dão conta de onde estão novamente no dia seguinte. No mesmo dia o autor escreveu toda a música praticamente sem parar para comer. A entrada dos metais é triunfante e ao mesmo tempo compassada. A letra evoca muito o momento de vida em que estou. Nesse movimento de querer voltar a contar histórias, de pertencer a algum lugar no mundo.

    We tell tales to belong
    Or be spared the sorrow

    You’re so fair to be behold
    What will be left when you’re gone?

    And it changed everything you know
    How we were when the wonders who love
    Southern land, scattered clouds from the cold
    And, oh, oh, oh, spare me the glow

  • Sobre o vento

    Sobre o vento

    Sempre achei que em determinadas fases da minha vida tive uma forte proximidade com um dos 4 elementos: terra, água, ar e fogo. Acho que encerrei meu ciclo com a água e abri um novo ciclo, o ciclo do ar. O vento tem me chamado…

    Se fosse para levar astrologia a sério, faria muito sentido, pois meu signo e ascendente estão desse elemento. Mas eu talvez prefira pensar em ciclos e significados. Passei um longo tempo envolto pela água em todas as suas formas. Do prazer de lavar a louça com água fria no calor, de sair na chuva, a força do mar, cachoeira que lava a alma, o rio em que não mergulhamos 2x, desacelerar na banheira, começar o dia com uma boa ducha, etc. Mas hoje, sei lá pq, quero voar… quero deixar reticências no final de todas as frases como a vida soprando junto com as ideias. Como sempre disse, com os dois pés firmemente plantados no ar.

    Das lembranças mais antigas que tenho com o vento estão em pedalar. Pedalar tem toda uma relação com o vento, com a liberdade de ir pra onde quiser, de sentir o mundo sem molduras, sem esquadros. O vento pode ser cruel, pedalar contra o vento é phoda… mas pegar uma boa ladeira, tirar as mãos do guidão e sentir o vento no corpo… não tem preço! Fazer trilhas e admirar paisagens espetaculares do topo de uma montanha é também algo indescritível. Eu lembro de um tio que achava toda uma besteira esse negócio de ecoturismo…. o negócio dele era sentar no bar e beber bem com os amigos. Cada um na sua… o vento me chama!

    E o apartamento para ser bom deve ter uma varanda, ficar num andar alto. A casa deve ter muitas janelas, sempre abertas. Sempre que possível, né? E quando cai aquele temporal, ficar ouvindo o vento zunindo nas janelas, as correntes de água bailando pelo ar.

    Vento, liberdade, movimento, mudança!

    “Pois vejo vir no vento o cheiro da nova estação”! Porra Belchior, nunca vou entender pra onde o vento lhe levou, mas que vista incrível você cunhou na nossa vida heim?

    Não tenho clareza do caminho, sei dos muitos desafios, sei da neblina que se dissipa com a aurora de um novo ciclo. Sei que deu uma vontade de voltar a escrever, sabe?

  • Lá fora

    Lá fora

    O sol está se pondo
    vontade de entrar no carro
    ir pra lugar nenhum
    bora?
    sem destino
    sem hora pra voltar
    sem despedidas
    sem planos
    sem adiar a vida
    sem boletos nem alarmes
    sem nada pra provar pra ninguém
    sem nada para conquistar
    com desejo
    com paixão
    com vontade

    sonhos
    ideias
    palavras
    sorrisos
    lágrimas
    vento
    sol
    chuva
    violão
    lá fora
    a noite já veio
    e eu nem levantei da cadeira ainda
    fome
    cansaço
    solidão
    sonhos
    até amanhã…
    quem sabe?