O começo

Há um mês, demos início ao PGConf Brasil 2018. Credenciamento, welcome coffee, estandes de patrocinadores, canecas, camisetas, etc e tal. Claro que a história não começa bem aí… começa em 2017, no PGBR2017, organizado pelo Sebastian Webber em Porto Alegre / RS. Fazia um tempo que eu não organizava um grande evento, a brincadeira começou longe, o primeiro evento de Software Livre que organizei foi em 2003 em seguida houve a criação do PSL-ABCD com 3 edições do “Fórum Regional de Software Livre do ABCD” em 2004, 2005 e 2006. Em 2007, começamos a organizar o primeiro evento nacional de PostgreSQL no Brasil. Depois vieram os de 2008, 2009 e em 2011 foi o último grande evento que organizei. O PGBR 2011 foi considerado pelo sr. Magnus Hagander o maior evento de Postgres do planeta. Claro que eu fiquei feliz pacas com o reconhecimento. Mas fiquei exausto também. A comunidade de Postgres na época já não tinha o mesmo pique e eu acabei centralizando a maior parte da organização, assumindo uma carga enorme de trabalho. Em 2013, o Luis Fernando Bueno (e uma equipe incrível junto dele), fez o que muitos acharam uma loucura: levaram o PGBR para Porto Velho / RO. Foi assim que eu passei o bastão e o evento saiu de SP. Foi um sucesso, com uma mobilização local excelente e quem topou viajar até Porto Velho não se arrependeu. Depois foi o Fabrízio de Royes Mello, que assumiu a organização em 20015 em Porto Alegre / RS. Em 2017, Sebastian Webber foi o nosso Kahuna da vez. E foi participando do PGBR2017 – que diga-se de passagem foi um excelente evento –  quando eu tomei coragem para retomar essa história.

De 2007 para cá muita coisa mudou. Muito da história destes eventos trazem um pouco da minha história pessoal e da minha minha trajetória profissional. Foi no PGBR 2009, em Campinas, que nos reunimos para criar a Timbira, com a ideia de construir a primeira empresa no Brasil focada em PostgreSQL. As pessoas com as quais trabalhamos na Timbira, são as pessoas que conheci e/ou ajudaram a organizar eventos de Software Livre pelo Brasil: Fernando Ike, Euler Taveira, Fabrízio de Royes Mello, Dickson Guedes, Sebastian Webber, Felipe Augusto van de Wiel, Jefferson Alexandre e outros que estão chegando! A decisão de assumir a organização do PGConf Brasil 2018 veio de uma série de fatores que foram amadurecendo e eclodiram em 2017. Vejamos…

O crescimento do PostgreSQL no Brasil

Em 2003, quando organizei meu primeiro evento de Software Livre, era um momento de efervescência no país, o Linux estava despontando com novos modelos de negócios, com a possibilidade de incluir mais gente no mercado, compartilhar o conhecimento e remunerar mais os serviços e competência profissional do que papel ( licenças, patentes e certificações). Hoje, a comunidade internacional de PostgreSQL mantem os princípios da ética hacker e ao mesmo tempo incorporando demandas de um mercado corporativo que utiliza bancos de dados em diversos segmentos. Atualmente, grandes empresas usam o PostgreSQL e grandes empresas prestam serviço também. Há 15 anos, nós éramos entusiastas, estávamos começando a trabalhar profissionalmente com Software Livre e sonhávamos em trabalhar em uma das poucas empresas que prestavam serviços em PostgreSQL. Ainda somos entusiastas, mas temos a nossa própria empresa e estamos contratando novos entusiastas!

A visão do gestor de TI

Meu trabalho na Timbira tem mudado gradativamente nos últimos anos. Cada vez mais eu me dedico à tarefas como gestor e isso traz consequências no dia-a-dia. Você começa a olhar as coisas num plano maior e se preocupar com outros aspectos. É claro que existe muito o que melhorar no código do Postgres, novas funcionalidades, menos gargalos, mas temos que pensar em outros aspectos não técnicos que são grandes barreiras na expansão do PostgreSQL. Entre eles temos a necessidade de ter uma comunidade mais ativa, com mais profissionais qualificados, divulgação de casos de sucesso, treinamentos, material didático, etc. Continuamos hackeando, mas está na hora de dar mais fôlego para outras questões igualmente importantes.

Aprender a enxergar as coisas sob a ótica do marketing

Existem muitas coisas divertidas sob o ponto de vista de um hacker ou mesmo de um nerd que trabalha com informática. Mas nem todas são realmente relevantes para todos. A primeira versão dos cartões de visita da Timbira incluíam uma fingerprint das nossas chaves GPG. Na prática, quase ninguém sabia o que era isso. Ao dar o nosso cartão para um gestor de TI, aquilo não agregava nenhuma informação relevante. Hoje, embora a maioria dos hackers da comunidade internacional ainda utilizem o IRC e listas de discussão por e-mail, muitos usam grupos do WhatsApp, Telegram, Facebook e tem crescido muito o uso do Slack. Trabalhar junto a uma empresa de marketing, no caso a Klavo, ajudou muito a dar um salto de qualidade no evento. Aprendemos muito e certamente estaremos juntos novamente em 2019. A atenção a alguns detalhes foi um diferencial em 2018.

A política internacional de reconhecimento para eventos que contribuem para a comunidade

Nós sempre organizamos eventos a partir da comunidade. Nos filiamos à ASL.org e com isso tivemos respaldo jurídico para captar recursos e contratar fornecedores. Mas, a ASL foi diminuindo enquanto o mercado corporativo foi crescendo. Hoje, boa parte dos eventos de Software Livre são organizados por empresas e não apenas por comunidades. Em 2018 resolvemos utilizar a Timbira como organizadora. As diretrizes da comunidade internacional nos deram um caminho seguro para percorrer. Não é pelo fato de uma empresa organizar o evento, que este se tornará uma grande propaganda. E de fato, isso realmente ocorre em outros eventos. Nós tomamos claramente um outro caminho, decidimos adotar todas as recomendações e recebemos o reconhecimento da comunidade internacional por isso. Dentre as exigências, podemos citar:

É claro que se você faz parte da comunidade e está organizando um pequeno evento regional isso não muda muito a sua vida. Mas, se você é uma empresa que ganha dinheiro vendendo serviços relacionados ao PostgreSQL, as coisas mudam bastante. Não há nenhum problema em uma empresa organizar um evento que não tenha esse reconhecimento, inclusive há grandes eventos assim. A principal diferença é que estes não podem usar o nome da comunidade nacional ou internacional para promover seu evento, seus negócios e não precisam ter nenhum compromisso com a comunidade em si.

Desta forma, tomamos e sempre vamos tomar, o cuidado de preservar os interesses da comunidade. Acreditamos firmemente que ao apoiar o crescimento da comunidade, todos ganham, inclusive a Timbira. Acreditamos firmemente nos princípios da ética hacker, no compartilhamento do conhecimento e na transparência das nossas ações. Temos clareza de que sempre vamos continuar apoiando a comunidade: escrevendo novas funcionalidades, revisando código de outras pessoas, organizando eventos, escrevendo artigos e ajudando pessoas com dúvidas, como sempre fizemos. No entanto, ao invés de utilizar a ASL.org para dar respaldo jurídico e financeiro, estamos utilizando a Timbira.

A grande verdade

Ok, é verdade que a gente quer impulsionar a comunidade, gerar conteúdo relevante, compartilhar conhecimento, etc e tal. Mas vamos falar a verdade: juntar essa turma toda para tomar uma cerveja é legal para caraleo! Botar esse monte de malucos no mesmo lugar é algo que só quem participa sabe. Por isso demos uma atenção especial ao happy hour. Trazer os palestrantes internacionais, juntar gente de vários estados diferentes, gente com novos desafios, isso sim é o que me fez retomar tudo isso. A cerveja une as pessoas! E se você não gosta de cerveja não tem problema, participar da confraternização, compartilhar o momento é o que vale. De repente, você não está mais preocupado apenas com o trânsito, com o aumento que não veio ou com as contas para pagar no final do mês. Você está lá, contando suas aventuras com o PostgreSQL e conhecendo as histórias de outras pessoas que você nunca viu na vida. Um grande educador um dia disse que o importante no aprendizado não é a quantidade de momentos em que você se depara com o conhecimento, e sim a qualidade desses momentos. Um evento de troca de conhecimento não seria válido sem encontros como esse, de descontração, sorrisos,  boas histórias para contar e claro, boa cerveja! São esses encontros que a gente leva para a vida e não esquece jamais.

Blá blá blá… e como foi o evento afinal?

Foi exaustivo pra variar. A aproximação do evento coincidiu com a chegada de alguns clientes novos e críticos na Timbira, além de problemas de saúde em família. Então foi tudo bem corrido. Eu estava um caco. Para se ter uma ideia, eu não consegui terminar a minha própria palestra em pé. Pelo menos não estava usando muletas e uma bota ortopédica como em 2008. Mas vejamos alguns pontos em particular…

Sobre a chamada de trabalhos

Faltando uma semana para encerrar a chamada de trabalhos, havia pouquíssimas propostas de palestras inscritas. A gente já estava pensando em adiar o prazo em uma ou duas semanas. E como sempre, o pessoal (eu me incluo nisso) deixa muita coisa para a última hora. No final houve um recorde de propostas de palestras: 82. A banca avaliadora teve bastante trabalho para escolher tudo, mas quando terminaram… vimos uma grade com mais de 40 palestras de tudo quanto é tipo. A maior grade que já montamos por aqui. Aí eu já sabia que o evento seria phoda. Phoda mesmo! Uma grade assim enche os olhos de qualquer um. Teve gente reclamando que teve dificuldades para escolher o que assistir.

Sobre o público

Olhando para o evento em 2011 realizado exatamente no mesmo lugar, tivemos um público menor. Eu diria que tivemos umas 300 pessoas no máximo em 2018, contra umas 380 em 2011. Mas quantidade não é tudo… vejamos algumas informações importantes:

É pessoal, as coisas mudam. Temos mais gente experiente, mais desenvolvedores, mais gente que trabalha principalmente com PostgreSQL e uma parcela significativa de profissionais ninjas (lembra dos 12,6% que se disseram Chuck Norris?).

Sobre os pontos positivos

O evento foi muito bem avaliado. Tivemos 157 avaliações gerais do evento pelo formulário, e quase 500 avaliações de palestras pelo App do evento. Alguns pontos de destaque:

Um dos grandes destaques positivos foi o happy hour, claro. Encomendamos 150 litros de chopp artesanal da cervejaria Moby Dick com uma Blond Ale feita com uma receita exclusiva para o evento. Só quem estava lá experimentou. Quer dizer… ainda fizemos 100 garrafas que foram vendidas a preço de custo no evento. Vira e mexe eu ainda vejo fotos de uma ou outra garrafa sendo aberta lá no grupo do evento no Telegram. Se alguém ainda tiver uma fechada, pode me convidar que eu aceito um copo! A cerveja ficou realmente boa, não é por nada não.

Sobre os pontos negativos

Nem tudo são flores, e vários erros foram cometidos, mesmo tendo organizado vários eventos, sempre tem o que melhorar! Entre os itens que sofreram mais críticas temos:

E valeu a pena?

Cara, valeu muito. As pessoas fazem toda a diferença. O retorno entre inscritos, palestrantes e patrocinadores foi muito bom. Acho que conseguimos entregar um evento com um bom nível, com uma grade bastante significativa e uma organização que agregou valor para as pessoas. Mas fiquem tranquilos… isso foi um ensaio para o que vamos aprontar em 2019!!!

O que esperar do PGConf Brasil 2019

O planejamento para 2019 já começou e se o hotel confirmar as melhorias que pedimos, pode ir reservando aí na agenda: 2 e 3 de agosto de 2019 no Hotel Century Paulista. Enquanto isso, algumas coisas que possivelmente estarão no nosso roadmap:

Espere, o PGConf Brasil 2018 ainda não acabou…

Na verdade ainda temos algumas coisas para fazer antes de começar a organização do evento em 2019:

Na verdade o PGConf é como louça para lavar… não acaba nunca!

Um grande abraço para todos e vejo vocês no evento em 2019. Ou no Facebook! Ou no Twitter? Ou será no Telegram? Não sei… a gente se vê por aí, certeza!

Happy Hour do PGConf Brasil 2018 em time lapse

Vídeo com resumo do PGConf Brasil 2018

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