Timbira lança cursos on-line de PostgreSQL

A notícia não é tão nova… já está no ar há uns dias na comunidade de PostgreSQL. Mas o fato é que no ano passado decidimos criar na Timbira 3 cursos on-line de 8 horas cada para serem realizados on-line. Cada um dos sócios vai ministrar um curso a saber:

Nos links acima você pode ver o custo, datas e o conteúdo. Eu serei o responsável pelo primeiro curso, o de Backup e Restore que começa em breve, no dia 7 de junho. Depois será a vez do Euler Taveira e do Fabrízio de Royes Mello. Será a minha primeira experiência com um curso on-line e acho que vai ser bem divertido. Já faz um bom tempo que estou afastado da sala de aula e eu venho esperando esta oportunidade por um bom tempo. Isso porque deixei de acreditar em uma série de cursos que vejo no mercado por aí. Não acho que despejar uma quantidade incrível de conteúdo em pouco tempo para pessoas com pouca familiaridade com determinada tecnologia seja algo muito produtivo. Espero fazer algo um pouco mais interessante que isso e trazer um pouco da minha bagagem na educação para este projeto novo da Timbira. Esse foi um dos motivos para isso levar tanto tempo para sair do papel. O outro, como alguns mais próximos sabem, foram questões pessoais que mudaram bastante o rumo da minha vida recentemente.

O número de vagas em cada turma é bem limitado, pois não quisemos abrir mão da qualidade do curso. A primeira turma já está quase no limite, mas ainda tem algumas vagas pelo que eu pude ver. Claro que é bem possível que novas turmas virão. Tudo vai depender da demanda e de termos tempo de preparar novos cursos. Escolhemos os temas com cuidado e dando foco em questões bem práticas que nossos clientes solicitam continuamente. A Timbira já tem feito cursos In Company faz uns anos, é a primeira vez que abrimos um curso para o público em geral. Estamos experimentando isso, vendo como é a demanda do mercado e tudo o mais. Existem muitos planos para o futuro se isso der certo agora.

Agora estou muito feliz com esse novo momento da Timbira que tem me dado novas alegrias a cada dia. Estamos crescendo num ritmo que às vezes até assusta e este é definitivamente um momento para a gente descontrair e se divertir um pouco. Digo isso pois estar numa sala de aula é um prazer para mim e foi uma das metas que eu estabeleci para mim este ano.

E para aqueles que tiverem a oportunidade de participar do curso… até breve!!!

OBS: Veja outros cursos da Timbira.

Novidades com PostgreSQL no ar…

chelnik-crochetSei que faz um tempo que não escrevo sobre PostgreSQL por aqui…  mas isso não significa que as coisas estão paradas na comunidade. Quem acompanha o planeta internacional, ou a série “Waiting for …” do Depez sabe que existem muitas novidades para a versão 9.4 por vir. Uma das que tem causado um certo frisson na comunidade é o novo tipo de dados, o jsonb, um tipo de dados binário para json.  A ideia é que trabalhar com dados semi estruturados de forma mais inteligente e flexível no PostgreSQL, tornando a necessidade de usar bases noSQL cada vez menor. A cada dia que passa fica mais fácil ter a flexibilidade e o desempenho de uma base noSQL junto com a robustez de a confiabilidade de uma base SQL transacional tudo dentro do PostgreSQL! Nossos amigos russos não param de nos surpreender!

Além disso um monte de coisas bacanas por aqui. Andei testando o PostgreSQL Studio que é uma interface de administração em Java feita pelo pessoal do Heroku e o Data Filler, uma ferramenta para criar massas de dados. Ainda estou testando ambas as ferramentas, o PostgreSQL Studio é bem simples e para algo feito em Java, até que não parece pesado. O Data Filler merece um post só sobre ele, é uma ferramente que pretendo usar muito ainda. Realmente algo que todo desenvolvedor deveria ter debaixo do braço.

Enquanto isso no Brasil….

Bom, depois do PGBR 2013 em RO, algumas pessoas podem pensar que tudo anda meio devagar por aqui… Realmente não há novos PGDays à vista este ano. Eu mesmo não devo organizar nada neste semestre, mas se alguém tiver alguma sugestão, topo fazer algo no segundo semestre. Como eu esperava, não deveremos ter um PGBR2014…  mas tenho quase certeza de que em 2015 teremos mais uma boa edição do PGBR. Como eu já disse antes, acho que é um evento que funciona bem a cada 2 anos. O nosso maior revés recentemente foi a invasão do nosso site, o www.postgresql.org.br . Ainda estamos trabalhando para reestabelecer o serviço, mas a lista de discussão por e-mail continua no ar, pelo menos.

Agora, na área de desenvolvimento… muitas novidades sim! O Francisco Figueiredo lançou recentemente mais uma versão do seu driver para . Net o Npgsql. O Euler Taveira e o Fabrízio de Royes Mello estão com vários patches no PostgreSQL 9.4 e agora o Fabrízio está se candidatando para o Google Summer of Code de 2014 também. É claro que isso é motivo de orgulho para nós. A Timbira é sem dúvida a empresa que mais contribui com código para o PostgreSQL no Brasil e acho que podemos afirmar com tranquilidade que temos os melhores consultores também. Podemos ser uma empresa pequena, mas quem já teve uma base recuperada por nós, sabe que fazemos coisas que provavelmente ninguém mais no Brasil faria. Eu mesmo já tive um cliente que após migrar para uma versão nova do PostgreSQL (claro, faltou homologar melhor antes de migrar, normal) descobriu um bug na nova versão…. e nós tínhamos um patch com a correção no dia seguinte. Agora me conta quem é que faz isso por aqui?

Então, se você acha que a comunidade está parada, saiba que o mais importante continua rolando: a lista continua dando suporte para os usuários e os desenvolvedores continuam desenvolvendo novas funcionalidades! E posso garantir que a versão 9.4 traz muitos elementos bacanas no PostgreSQL. Algo me diz que não chegaremos na versão 9.5… pois tem muita coisa boa para acontecer nos próximos anos, eu chuto que iremos para uma versão 10.0 em breve!!!

Parênteses 1.0

Como todo nerd que trabalha com informática, eu também me assombro com os aplicativos para celular que fazem pessoas milionárias da noite para o dia. E também já fiquei pensando em uma ideia original para colocar em prática…

Já faz um tempo que venho com a mesma ideia na cabeça, um aplicativo que seria realmente útil para mim. Sou daqueles que falam muito, muito mesmo. Assunto para mim é uma coisa inesgotável quando estou conversando com pessoas interessantes. Só tem um problema, os parênteses. Aquela coisa do Miguel de Cervantes de abrir uma história dentro da outra e não saber mais sobre o que estava falando…. vira e mexe eu me perco e não consigo retomar para a história anterior, depois de tantas abertas. É como navegar nos primórdios da internet, sem abas e sem usar os favoritos. Uma hora você se perde.

Estou em busca de pessoas criativas para levar o meu super aplicativo a cabo! O “fechador de parênteses”. Basta marcar toda vez que abrimos um novo parênteses e lembrar onde estávamos quando fecharmos cada um deles. Para alguns papeadores mais densos como eu, isso pode ser de grande ajuda e dar um senso estético mais acabado para a sua conversa. Você com certeza vai se sentir menos louco. Ou então vai ver quantitativamente o tamanho da sua loucura… Conheço mais algumas pessoas tão prolixas quanto eu que tenho certeza que seriam bons clientes. Não sei se seria um best seller com um Angry Birds, mas aposto que se funcionar, terei um público fiel para o resto da vida!

Talvez se for para eu ganhar dinheiro mesmo, seja melhor eu escrever livro de auto ajuda!!!

Fábio – 20%

Do final de dezembro para cá as coisas degringolaram um pouco… festas de fim de ano, férias, viagens à trabalho e por aí vai. Não deu para manter a disciplina, mesmo assim consegui perder mais peso. E hoje fui na nutricionista e o resultado até agora é:

  • 20% a menos de massa corpórea;
  • 20cm a menos de circunferência abdominal
  • Diminuição de Obesidade grau 3 (mórbida) para grau 1.

E a vida vem melhorando aos poucos. Fiz minha inscrição na academia ontem e espero acelerar as coisas agora. Vou tentar ir na tal da Smart Fit, que não parece muito boa, mas é barata e tem em vários lugares, então eu posso ir mesmo quando estiver viajando.

Votei a caminhado bastante, quase todos os dias. Comecei a fazer as primeiras trilhas e juro que estou tentando tomar menos cerveja (com graus variados de sucesso nisso). Já conheço bem o mundo das barrinhas de cereais e biscoitos integrais. Já visitei a zona cerealista mais de uma vez, só falta aprender a fazer pão integral.

Comprar roupas ainda é algo desagradável que eu tenho evitado, mas fui obrigado a comprar um mínimo para não fazer feio em ocasiões sociais. Vou segurar isso ao máximo até que eu atinja a minha meta no final do ano, que é o de perder mais 10%. Em 2015 quero perder mais 10% e perder ao todo 40% de massa corpórea para chegar no IMC ideal.

Continuo me achando enorme. A barriga continua grande e vistosa. Já foi bem pior, ao invés de dizer que estou MUITO obeso, dá para dizer que estou apenas… obeso. Não vejo a hora de poder dizer que estou só gordinho!!! Ainda não dá para fazer corrida e ainda vou segurar mais um tempo a natação e o ciclismo. Espero que até o final do ano eu consiga, mas ainda não dá. Por enquanto vamos fortalecer as pernas para proteger o joelho. Todo mundo faz a mesma recomendação.

Mas a ideia de usar lente de contato eu espero colocar em prática logo. Esse negócio de vaidade me pegou mesmo. Se vestir um pouco melhor, cortar o cabelo, usar um perfume de vez em quando… e em breve, óculos escuros, um sonho de infância que até hoje não realizei – longa história. Consulta com a oftalmologista marcada. Agora só falta as despesas imprevisíveis pararem de pular no meu colo para eu poder me dar ao para variar.

Mas a farra deve acabar logo. Preciso voltar a me dedicar seriamente à Timbira, antes que meus sócios me mandem passear. Se bem que o meu ritmo de trabalho já anda bem puxado ultimamente, e para somar umas 2 horas de academia pelo menos 3x por semana aos meus 8Km de caminhada diárias… vou ter que planejar cada vez melhor o meu tempo para dar conta de tudo.

Parece que é normal desacelerar um pouco o ritmo na perda de peso. Minha nutricionista disse que vai mudar algumas coisas na minha prescrição, e agora vou entrar com a academia para reforçar. Vamos ver em quanto tempo eu volto aqui para anunciar que perdi mais 10%…. veremos. Quando isso acontecer pretendo comemorar saltando de paraquedas!!!

De volta aos 18 anos!

De tanto ver filmes na sessão da tarde sobre adolescentes nos seus 18 anos, acho que desenvolvi a síndrome de Ferris Bueller, com direito a cantar e dançar Twist and Shout no meio da rua e tudo o mais. O fato é que de alguma forma é uma época da vida que marca a gente. Já fazem mais de 20 anos que meus 18 anos se passaram. É possível que eu consiga voltar a tocar violão, tão mal quanto naquela época. Não sei se teria tanto tempo livre para me dedicar a isso. É possível que eu consiga ficar magro novamente, mas dificilmente vou me pesar como naquela época. Também acho que hoje não deixaria os cabelos crescerem novamente. Enfim, embora eu seja nostálgico, sei que aquele tempo não volta mais. De qualquer forma, posso dizer que a melhor fase da minha vida é agora. Esse negócio de ficar com saudades do passado e ficar se lamentando pela juventude perdia é muito chato mesmo. O negócio é ser jovem hoje e curtir a vida agora. Mas tenho de confessar, os amigos que fiz naquela época, são inesquecíveis….

Ontem fui no casamento de um desses amigos inesquecíveis. Já tinha revisto ele no final do ano. Fazia muito tempo mesmo. E para quem se divorciou há alguns meses, engana-se quem pensa que eu não acredito mais nessas coisas. Acho que o casamento pode valer a pena sim. Admiro quem tem coragem de fazer esta opção na vida. Como sempre repito… “o amor é lindo e pode até dar certo”. E venhamos e convenhamos, eles conseguiram. Eu estou longe de ser fã de casamentos… tem uns muito chatos mesmo, daqueles que você vai por obrigação. Mas ontem foi bem diferente. Claro, o lugar era bacana, a comida era boa, a cerimônia foi leve, breve e bem humorada. Mas aí veio toda a diferença… os amigos!!!

E lá estavam meus grandes amigos, aqueles que eu conheci perto dos meus 18 anos. Alguns casados, outros solteiros, outros com filhos e por aí vai. Sempre bom rever esse povo. Comer bem e sem culpa, dançar e rir muito. Brinquei com crianças, feito criança. Boa companhia e um pouco de champanhe a mais ajudaram a embalar o dia e quando fui ver… eu era um dos últimos a ir embora….

Devo dizer, os 18 anos não voltam mais. Tenho muitas histórias boas para contar daquele tempo. Muitas mesmo… talvez eu devesse até escrever algumas qualquer dia. Mas os amigos continuam aqui, firme e fortes depois 20 anos. Agora pensa bem, o que vale mais: relembrar os seus 18 anos ou cultivar amigos por mais de 20? Foram anos incríveis, mas o inacreditável mesmo é estar com essa turma toda novamente depois de tanto tempo. E a história não para por aí… mês que vem tem o aniversário do Kenzo e certamente estarei lá. Afinal, certos amigos são para sempre mesmo!

 

Obrigado Anselmo e Priscila por ter nos reunido num dia tão lindo que foi o casamento de vocês. Desejo muito sucesso e o famoso kit felicidades para o casal. Que ontem tenha sido apenas mais um, de tantos dias felizes que vocês compartilharão conosco.

Herança materna

Já faz um tempo que voltei a ter mais contato com a minha mãe. Um dia desses estive num almoço na casa dela, onde estavam presentes antigos amigos e amigas dela. Eu já conhecia quase todas as pessoas ali e conheci uma ou outra pessoa nova. Todas com histórias fantásticas para contar. Quase todas intimamente ligadas com a história recente da educação neste país. Pessoas com histórias de vida singulares, pessoas que fazem a gente acreditar que um mundo melhor é possível mesmo.

E lá estava a minha mãe servindo os convidados, aprontando algumas coisas na cozinha e coisa e tal. E de repente fiquei lá parado olhando tudo um pouco mais de longe. Parei para pensar o quanto da minha essência se deve à herança materna. O desejo pela justiça social, a vontade de ajudar ao próximo, esse desejo incontrolável de sonhar com um mundo melhor, de se aproximar de sonhadores como nós, de achar que é possível deixar nossa contribuição, ainda que pequena, para algo maior.

Hoje eu estava passando pela avenida antes de ir trabalhar e vi um grupo de pessoas protestando. Dia Internacional da Mulher…. fala sério. Nome errado! Se você viu no seu FaceBook um monte de mensagens de carinho e solidariedade à beleza feminina, você está seguindo as pessoas erradas! O nome certo é “Dia Internacional de Luta Pelos Direitos das Mulheres“. Faz uma certa diferença, não? Marília, me corrige para eu saber se estou anotando direitinho….  Então, eu cresci com reuniões em casa, com grupos de pessoas como aquelas na casa da minha mãe discutindo como fazer um mundo melhor. Pessoas que foram inúmeras vezes para a rua, que vão até hoje. Mesmo com seus 40, 50, 60 anos… continuam batalhando, acreditando, sofrendo e conquistando.

Há pessoas que realmente acreditam que hoje tudo piorou. Que estamos numa escalada para o apocalipse. Se esquecem das inúmeras conquistas. Mulheres antes não votavam. Mulher estuprada era mulher que provocava o homem… e por aí vai. Ainda estamos muito longe do que acreditamos como justo – a necessidade de ter um carro exclusivo para mulheres no trem é uma clara demonstração de como estamos longe. No entanto é preciso reconhecer os avanços conquistados por tantas mulheres que batalharam muito para chegarmos onde chegamos hoje. Se for para dar rosas, dê um livro de Rosa de Luxemburgo…. faça algo mais interessante do que transformar a data numa desculpa para o comércio vender mais. Hoje é dia de se lembrar daquelas que lutaram e daquelas que estão na frente de batalha até hoje.

Me lembro bem que aos nove anos, as atitudes machistas já me incomodavam dentro da escola. Demorou muito tempo até entender o que era feminismo e tantas outras coisas. Hoje sei que também não estou livre de algumas atitudes machistas que eu mesmo odeio em mim. Sei que tenho muito o que melhorar, sei que temos muito o que avançar! Mas sei que essa semente de revolta e de um otimismo em relação a um futuro possível nasceu do convívio com uma pessoa, de minha mãe. Hoje, com mais de 60 anos continua ativa e jamais entregou os pontos. Sei que muito mais que suas palavras, foram seus gestos e as ações de uma vida toda que me ensinaram tanto sobre o mundo e continuam a me ensinar. Sei que se ela não fosse uma pessoa tão especial como eu acredito que ela é, não estaria cercada de tantas pessoas diferentes e também fantásticas.

Assim, hoje eu me vejo reencontrando velhos amigos, e me vejo cercado de pessoas maravilhosas também. Vejo o carinho que recebo e como eu adoro e admiro estas pessoas. Acho que esta é a maior herança que alguém poderia desejar dos seus pais. Estar cercados de bons amigos. Pessoas que também acreditam em algo mais do que rosas no dia da mulher.

Obrigado mãe.

Novo lar

Hoje houve uma pequena indisponibilidade aqui no Savepoint. Hoje enfim o Dreamhost cancelou minha assinatura. Graças ao jalexandre0.net o novo refúgio do blog já está ativo e operando. De fato o Dreamhost andava com o desempenho muito aquém do esperado agora temos um servidor bem mais confiável.

A migração foi rápida e indolor até agora, mas se alguém achar algo estranho, por favor me avisem, deixem um comentário ou mande um sinal de fumaça. Sim o endereço continua exatamente o mesmo. Nenhuma mudança de conteúdo ou domínio.

Abraços a todos leitoras e leitores,

Fábio Telles Rodriguez

2014 começando muito bem

Hoje fui caminhar no Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo. Um parque maior, mais tranquilo e rende uma boa caminhada. Até aí tudo bem… você poderia me dizer que seria melhor ir no Ibirapuera, que é mais perto de onde estou. Mas acontece que no Parque do Carmo… eu perdi minha carteira hoje. Descuido meu mesmo. Deixei cair do bolso quando sentei num banco e nem percebi. Dinheiro, documentos, cartões, tudo lá. Já fui correndo cancelar os cartões de crédito. Mas acontece que lá estava o Sr. Eloisio que achou minha carteira. Ele ficou olhando em volta para ver se achava alguém parecido comigo na foto da carteira de habilitação. Mas sabe como é…. eu tinha tirado a carteira esse ano e eu não tinha começado a perder peso. Ele não me reconheceu quando passei por lá. Só por isso já teria valido o dia com um elogio desses, né?

Bom, fui para casa depois, já tinha cancelado os cartões de crédito e tal. Já ia fazer BO e estava programando uma via sacra em banco Poupa Tempo, etc. E foi quando o celular apitou com um cara que eu nunca vi no facebook querendo me adicionar. Olhei o perfil do cara e não pareceu ser nenhum frequentador de eventos de Software Livre…. mas acabei adicionando o cara. E não é que o cara já veio puxar papo na sequência? E era o Sr. Eloisio que tinha achado a minha carteira. Ele disse apenas que tinha achado meus documentos. Pensei… bom, se eu não tiver que tirar novamente todos documentos já estou no lucro. E ele me deu o número do celular dele e combinamos de eu ir no Shopping lá perto para pegar com ele.

Quando o cara me entregou a carteira inteirinha com todos cartões, documentos e até dinheiro quase não acreditei. Minha vontade era de dar um mega abraço no cara. O cara teve o trampo de me procurar no parque, depois me procurou no Facebook (diz que ele não serve para nada depois dessa, diz?), me deu o celular dele, me encontrou no shopping de noite e não me pediu nada. Meio sem graça eu peguei R$ 50 da carteira e dei para ele. E apertei bem firme a mão dele com minhas duas mãos.

Voltei para casa feliz da vida. Fico pensando se o carma de ter ajudado as 3 senhoritas com o carro quebrado tempos atrás voltou para mim. Seja como for, parece que realmente existem pessoas honestas e solidárias ainda nesse mundo. Não estamos só…. existem outros, acreditem.

Dito isso, posso dizer que 2014 começou da melhor forma que eu poderia imaginar, com um exemplo vivo de que vale à pena acreditar no tal do ser humano. Feliz 2014 para todos os leitores do Savepoint aqui.

Fábio – 10%

Hoje a balança sorriu e me confirmou pela manhã: 10% a menos de massa corpórea. Isto significa que estou indo bem. Minha nutricionista certamente me fará algum elogio na semana que vem. Com 3 furos a menos no cinto, logo ele ficará para a história. Algumas camisetas começam a ficar desengonçadas e um ou outra roupa volta a servir.

Claro que a sensação é boa. Mas quer saber, ainda estou muito longe de algo para se comemorar. Ainda não se passaram 2 meses em que comecei a me cuidar melhor. Ainda falta muito, muito mesmo. Ainda tenho pavor de ver meu corpo no espelho, mas começo a fazer as pazes com o rosto.  Sei que não vou chegar no meu IMC ideal em menos de 1 ano, nem seria saudável emagrecer tão rápido assim. Segundo a minha nutricionista, não é bom perder muito mais do que 5Kg por mês. O tal do fígado não gosta muito da ideia.

O mais difícil foi tomar a decisão de começar. Comer de 3 em 3 horas tem exigido um cuidado que eu nunca tive antes. Não faço nenhum dieta maluca, como quase de tudo. Mas a qualidade do que eu como mudou radicalmente. Uma coisa importante para mim tem sido substituir o prazer da comida por outras coisas. Ver e rever grandes amigos, caminhar, passear em parques, ir em teatro, cinema, exposições, não ficar parado em casa. Não assisto mais TV, vou trabalhar à pé e viajo sempre que posso. Mesmo com pouco dinheiro, você pode fazer muitas coisas bacanas em São Paulo. Basta sair de casa.

Mas outras coisas tem sido importantes. Além do cinto que pretendo trocar em breve e a necessidade que terei em breve de jogar fora quase todas as minhas roupas, outras coisas aparecem na mente. Estes dias comprei um All Star cano alto, estilo retrô. Até pensei se não ficaria estranho um senhor de quase 40 anos com uma barriga  enorme de All Star por aí. Mas quer saber? Tô nem aí. Eu curto e pronto. O All Star, além da música deliciosa cantada pela querida Cássia Eler, é um companheiro de lutas. De um tempo onde muitas coisas importantes aconteceram na minha vida, onde conheci muitos dos meus melhores amigos, onde os primeiros grandes amores surgiram e aquela fase da vida, onde os sonhos floresceram e a gente acreditava que pode mudar o mundo. Bom, eu ainda acredito que a gente pode e deve mudar o mundo. Mas hoje acredito que devemos mudar a nós mesmos também… se não esse negócio de mundo melhor parece que não vai para frente.

Outras coisas que me vem à cabeça também… mudar o corte de cabelo, voltar a usar perfumes, até pensei em usar lentes de contato. Acho que esse resgate da vaidade é importante. Não é querer se sentir jovem novamente. Nunca mais terei 20 e poucos anos. Foi um tempo bom, mas passou. Hoje tenho uma nova história pela frente. Mas acho que se valorizar é importante. Se sentir bem consigo mesmo, se permitir mudar e viver coisas novas não é uma fuga para o passado, é se lançar para um novo futuro cheio de vida, aventura, paixão e descobertas.

Então… ainda estou muito obeso, mas vou bem obrigado.

Nerd e além…

A primeira vez que eu ouvi falar na palavra  “nerd” foi no filme “A Vingança dos Nerds” de 1984. Eu realmente não achava que tinha alguma coisa haver com eles. Apesar disso, eu já tinha um óculos “fundo de garrafa”, uma curiosidade natural para ciências e muita facilidade com matemática. Lembro-me de pegar o livro de matemática da escola e por diversão e fazer todos os exercícios do livro até o final do ano. O professor não gostou nada disso. Por outro lado, eu era canhoto e tinha uma dificuldade natural com a escrita cursiva. Então eu não gostava de escrever muito. Mas foi aos 11 ou 12 anos que meu pai comprou um CP400 que ele usou para escrever a tese de mestrado dele. Nessa época eu tenho de confessar que minha vida passou a girar um bocado em torno da desta maquineta. Logo eu aprendi a me virar com o inglês par poder estudar os manuais e programar um pouco. E veio a coleção da INPUT e o CP400 deu lugar ao Apple II e por aí foi. De fato até o final do ensino fundamental eu não tinha um rol enorme de amigos mas em geral eles não eram nerds.  Com a notável exceção para o Chico, que era fera. Ele de fato era melhor e mais criativo que eu em matemática. Hoje ele trabalha num tal de Google, manja?  O fato é que eu resolvi fazer um curso de eletrônica (programar eu aprendia sozinho, achava eu). E achava que lá seria a meca dos nerds. Bom, não foi bem assim. O fato é que eu fui me encontrar mesmo foi com a turma do grêmio. E a paixão pela política e por querer mudar o mundo é que me trouxeram os grandes amigos. Não foram os nerds.

E depois disso eu acabei virando professor, fui cursar ciências sociais… até que veio o casamento e voltei para a área de informática. E foi mais ou menos nessa época em que ser nerd virou uma coisa bacana, virou cool. A internet já tinha virado parte das nossas vidas, todo munto queria ter um iALGUMA_COISA. Surgiu até a expressão Geek que seria talvez um nerd mais descolado. E começou a sair um monte de gente do armário. De repente o cara que gostava de gibi do Homem Aranha era nerd. Mas isso tudo foi antes do seriado “The Big Bang Theory” chegar. Confesso que acho o seriado muito massa. Gosto mesmo. Seja lá o que estiver na moda… estar na moda é em geral uma atitude burra para mim.

Não que eu não tenha assumido meu lado nerd. Depois que comecei a trabalhar em tempo integral com informática eu li todos os livros do Tolkien, os 6 livros do “Guia do Mochileiros das Galaxias” e vários livros do Asimov e considero o Tesla um dos cientistas mais Rock’n Roll que já existiram. Mas para além das definições de o que é ser nerd ou geek tem uma que me é muito mais valiosa e que há muito caiu em descrédito graças aos esforços massivos para desacreditar um grupo pioneiro da informática: os hackers. Para quem não sabe, hacker não tem nada haver com pessoas mal intencionadas que ficam invadindo computadores alheios. O que aconteceu é que esse grupo de pessoas tem um conhecimento bem acima da média sobre computadores e fizeram duras críticas a vários softwares existentes no mercado. Algumas dessas críticas incluíam questões de segurança e eles demonstraram na prática porquê vários sistemas eram ruins neste sentido. Claro que as grandes empresas ao invés de melhorarem a qualidade dos seus produtos acharam mais barato dizer que os hackers estavam invadindo sistemas alheios. Pura invencionice que pegou, afinal, muito jornalista foi pago para divulgar essa imagem. A verdade é que o termo hacker vem de um grupo de pessoas que se dedicaram a estudar os computadores mais a fundo e tinham como princípio divulgar abertamente entre os seus pares tudo aquilo que aprendiam. Assim esse grupo conseguiu evoluir rapidamente e fundou muitos dos princípios da informática que vemos hoje. Um hacker jamais se auto-denomina assim. Uma pessoa é hacker se ela é assim considerada pelos seus pares. É como se fosse um título honorário. Um hacker é uma pessoa apaixonada e dedicada a estudar um assunto específico. Um hacker não esconde o seu conhecimento sob uma capa. O hacker é a alma por baixo do Software Livre. Jamais existiria software livre se não houvesse uma cultura hacker capaz de sustenta-la e lhe dar vida.

Não posso me considerar um hacker, nem sou assim considerado pelos meus pares. Mas meus pares na Timbira (leia-se aqui, Euler Taveira, Fabrízio de Royes Mello e Dickson Guedes) por exemplo são possivelmente os maiores hackers de PostgreSQL que eu conheço no Brasil. E nos damos muito bem. Embora eu não seja um bom programador, tenho uma contribuição diferente que também tem seu valor. Eu já escrevi bastante sobre PostgreSQL possivelmente uma das pessoas que mais publicou artigos técnicos sobre o assunto em terras tupiniquins. Sim… a promessa do livro ainda está super de pé. Hoje eu acho que tenho mais valor como palestrante, escritos e quiçá evangelista de software livre, do que como um possível e pretenso hacker. Mas não perdi as esperanças de me aprofundar em programação e dar o meu quinhão de contribuição com código.

Mas hoje, nessa minha fase de redescobrimento da vida eu me pergunto enfim: sou apenas um nerd então? E eu mesmo me respondo: nem a pau Juvenal. E não sou só eu. Tem muito nerd boa pinta por aí. Já conheci até mesmo um DBA bombado que hoje luta Jiu Jitsu. E por aí vai… um dos melhores palestrantes brasileiros de PostgreSQL, o Sr Diogo Biazus, um dia me aparece de moicano em pleno PGBR2011. Uma figuraça. Outro grande amigo está se empenhando numa nova carreira de psicanalista. Outro já foi um grande ativista político e é um excelente articulador. Lembro do David Fetter que veio para o PGBR de 2007 com uma bicicleta na bagagem só para poder pedalar no Brasil. Outra figura. O Josh Berkus adora culinária. O Bruce Monjiam passa metade do ano viajando pelo mundo em peregrinação para falar sobre PosgreSQL. Tem o Daniduc que abandonou uma boa carreira na informática e foi morar na Holanda com a esposa e hoje vivem a partir dos seus blogs. Confesso que um dia quero escrever como esse cara. E por aí vai. Claro, temos sempre um Marcelo Tosatti que tem aquele jeito de nerd clássico. Quando eu conheci ele, tinha dificuldade de falar em público, mas já tinha um cabelo rastafari que mostrava que dali outras ideias brotavam também.

E hoje trabalho com nerds fantásticos, com uma cabeça incrível e que mostram que um nerd pode crescer e ser muito mais do que isso na vida. Ser nerd pode ser muito legal. Nada contra. Mas ser humano, ou melhor, ser você mesmo é o que realmente importa, não é mesmo?