Harry Potter e o “pergaminho desaparecido”

Há algumas semanas eu conheci uma pessoa aficcionada por TV e Cinema. Chegou aqui no trabalho umas 17h para migrar a versão de um sitema com um boneco do Shrek e me contou que fazia parte de um grupo de pessoas que cria legendas em pt_BR para seriados em inglês. Eles só disponibilizam as legendas, se disponibilizarem o seriado, correm o risco de serem processados. É claro que isso pode ser baixado via P2P e não precisa de um site para isso. Alguém assiste e grava o episódio inédito na TV lá nos Estados Unidos. O pessoal coloca isso na Web e eles baixam aqui no mesmo dia (todos tem conexões de 4Mbit/s em casa…) e na manhã do dia seguinte as legendas já estão disponíveis, revisadas e sincronizadas. Um feito e tanto.

Então esta mesma pessoa me contou que no ano passado fazia parte de uma das equipes que traduziu o 6º livro do Harry Potter em cerca de uma semana. Houve uma certa disputa entre várias equipes para ver quem terminava a tradução primeiro. Assim como no ano passado, a versão traduzida oficial só chega meses depois, em Dezembro. Enquanto isso no mesmo dia em que o livro foi lançamento na Ingraterra as páginas escaneadas foram mandadas pela web para equipes de tradução e revisão. A versão foi traduzida em cerca de uma semana. Com qualidade provavelmente questionável, certamente, mas o suficiente para saciar a curiosidade de muitos leitores que não aguentam esperar até o final do ano ou não conseguem ler a obra na língua original.

Toda a operação é digna de piratas, sanguinários no melhor do estilo dos “Piratas do Tietê” é na verdade conduzida por jovens estudantes, boa parte com menos 18 anos. Eles não ganham dinheiro com isso. Não vendem nenhum produto. E mais uma vez a Internet sai quebrando paradgmas. O mercado fonográfico já vem enfrentando sérias dificuldades com a popularização dos MP3 Players. O formato de mídia conhecida como Compact Disc começa a definhar lenta e inexoravelmente. Ontem vi que já estão fazendo pen drives de 32 GB com o mesmo tamanho de um que continha apenas 128MB há poucos anos atrás.

Embora a tradução do último livro tenha sido rápida, e tenha recebido até notas de jornal, parece que o livro deverá vender bem aqui no Brasil quando a tradução oficial chegar nas livrarias. O motivo não é a qualidade questionável da tradução dos nossos jovens tradutores amadores, a questão é que ler um livro de 784 páginas num monitor não é muito agradável. Imprimir também não é uma alternativa muito boa, pois se você imprimir todas as páginas em A4 terá dificuldade em carregar o catatau de páginas, isso se o fizer em frente e verso.

Ai eu lembro do livro “A Vida Digital” do mesmo Nicholas Negroponte que hoje promove o famoso OLPC. O livro foi escrito há mais de 10 anos e previu muitas coisas que hoje se tornaram realidade. Uma das previsões mais incríveis foi a de que teremos “folhas de papel digital”, onde o monitor assumirá um formato tão confortável em termos de contraste, tamanho e peso como uma folha de papel. De certa forma estamos no caminho, os Tablets estão melhorando muito e já há opções muito interessantes. Se isso continuar… será o fim de uma das mais tradicionais mídias conhecidas até hoje, o papel! Até isso acontecer, a guerra pelos direitos autorais vai continuar crescendo e a fonte de receita dos “fabricantes de conteúdo” vai continuar migrando cada vez mais para serviços, como tem acontecido com os jogos eletrônicos que oferecem serviços para os jogos on-line ao invés de se concentrar na venda de licenças do jogo em si.

Seria interessante observar o que a máquina de fazer dinheiro que se tornou a saga de Harry Potter pretenderá fazer com os tradutores não oficiais do livro. Hoje, esta ação realizada por adolescentes não diminui os lucros astronômicos da editora. Se esta for inteligente, dará no máximo um puxão de orelhas em cada um. Mas o que acontecerá quando o papel digital chegar? Enquanto a história passa a contar com cada vez mais bytes e menos átomos, a expectativa é de que em poucos anos veremos muitas transformações acontecendo na nossa “era da informação”. De toda forma uma coisa em que eu acredito é que A Revolução Não Será Televisionada

5 comentários sobre “Harry Potter e o “pergaminho desaparecido”

  1. Esse lançe das legendas não é novo, já teve até gente presa aqui por cause disso, quase sempre tem site fechando e agora só não fecham porque os caras registram o domínio fora do país.

    As gravadoras querem continuar ganhando, os estúdios e os canais de TV também, só que as coisas estão mudando e ele precisam se adaptar, isso ainda vai dar muito rolo mas não concordo com a classificação de “piratas”, eles não estão roubando nada, para mim não existe pirataria de idéias, de músicas, videos ou pensamentos.

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